OS PILARES DA VOCAçãO EPIFANIA: MARIA E JOSé
DEUS ESCOLHE MARIA
“O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando o anjo disse-lhe: ‘Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo’.” (Lc 1, 26-28)
Deus elege Maria, a cheia de graça, cheia de santidade de Deus. Significa que Deus encontrara nela um encontro ou simpatia muito especiais. Deus estava com Maria porque ela estava com Ele em seu coração e no dia-a-dia. Maria era conhecedora das escrituras, como demonstra o Magnificat, citando trechos do Antigo Testamento.
Apesar de muito jovem, as palavras solenes e sublimes que o anjo lhe diz da parte de Deus indicam que Maria possuía uma plenitude interior e uma estabilidade emocional muito superiores e desproporcionais a sua idade.
Maria, menina mulher, humilde, simples, pura, intercessora, serva, pessoa de reflexão e interioridade, obediente, trabalhadora. Maria evangelizadora.
MARIA DIZ SIM: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua vontade.” (Lc 1, 38)
O Criador esperou o sim de sua criatura, que era livre para aceitar ou não o seu plano, cumprindo assim a promessa de que uma mulher feriria a cabeça da serpente (Gen 3,15); ou seja, pela mulher o pecado entrou no mundo, então por ela entraria a salvação.
Na anunciação Maria viveu o Batismo no Espírito: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te cobrirá com sua sombra.” (Lc 1, 35)
O batismo de Maria a fez tomar consciência da sua missão e da de seu filho Jesus (Lc 1, 46-55), levando-a a uma ação concreta: o trabalho como forma de evangelização. Maria foi às pressas ajudar sua prima Isabel, levando Jesus no seu ventre e o Espírito Santo em todo o seu ser. (Lc 1, 39-45)
MARIA, ESTRELA DA EVANGELIZAÇÃO
O papel de Maria com a Igreja é inseparável de sua união com Cristo e decorre diretamente dela. Maria é intercessora, obediente, fé, esperança, caridade, maternidade e simplicidade. Mulher orante, de intimidade com Deus e conhecedora da Palavra.
INTERCESSORA: Intercede pela Igreja, pelos projetos de Jesus, pelos amigos, como nas bodas de Caná. Maria nos convida a sermos intercessores pela Comunidade, seus projetos e por todos aqueles que estão envolvidos, para que não falte o vinho, ou para que este seja de melhor qualidade.
OBEDIENTE: Obediência à vontade do Pai, despojando-se do seu projeto de vida pessoal para participar do projeto de Deus para a sua vida. “Faça-se em mim segundo a Tua vontade.”
FÉ: Acreditava que as coisas que lhe eram ditas da parte de Deus eram verdades que se cumpririam. Cooperadora. “Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas.”
Obediência da fé implica compromisso de vida. Não se trata de meramente conformar-se com a vontade de Deus, mas sim de abraçá-la com e por amor àquele que expressa a sua vontade e espera de nós uma resposta. Tomemos como exemplo a obediência de Maria que, pela fé, abraçou o projeto do Pai com total dedicação.
ESPERANÇA: Na esperança da ressurreição, Maria caminhou lado a lado com Jesus até a Cruz. Caminhemos também na esperança de uma sociedade nova, com uma mentalidade nova, juntos com Jesus.
Maria é sinal de esperança para todos nós, a Igreja. Glorificada por Deus pela sua obediência, alimenta em nós a esperança de um dia também sermos glorificados.
DEUS ESCOLHE JOSÉ
Com José não foi diferente de Maria. Deus o elege necessitando de um homem que assumisse a paternidade de seu filho com toda responsabilidade, sendo íntegro, justo, bom, trabalhador, ou seja, alguém que pudesse educar como pai o Seu Filho, protegendo-o e preparando-o para a missão salvífica.
José era um homem de bem, da estirpe de Davi. José diz “sim” e recebe Maria em sua casa. (Lc 1, 19-25)
“Os dois são sensíveis para as coisas de Deus, depois de longas conversas, teriam chegado ao compromisso de viver unidos em matrimônio virginal, dando cobertura ao Sacrossanto Mistério da Encarnação, e colaborando com Jesus Cristo na Salvação do Mundo.” (Larañaga, “O Silêncio de Maria” - pg. 128)
Se Jesus não tivesse um pai, não seria possível qualquer atividade evangelizadora. Com a Graça da Eleição, eles recebem juntos a Graça Santificante que os capacita para a missão. Missão de espelhar a Trindade: uma comunidade de amor.
JOSÉ, UM HOMEM JUSTO
Humilde, silencioso, obediente, não há nos evangelhos registro de uma única palavra que tenha pronunciado, mas sim de sua humildade, pobreza, castidade, justiça e obediência, que o tornaram modelo para todos os pais de família, maridos e jovens. José é considerado o “Pai da Providência”.
“Não hesiteis de buscar a linhagem de Jesus na linha de José, pois do mesmo modo que ele é esposo virgem, é igualmente pai virgem. Não receeis pôr o marido diante da mulher, segundo a lei de Deus e a lei natural.
Se puséssemos José de lado para falar só de Maria, estaria no direito de nos dizer: “Por que me separais de minha mulher? Por que não quereis que a genealogia de Jesus termine em mim ?” E se lhe dissermos: “Por que não o geraste na carne? O que o Espírito Santo operou nela, ele o operou em nós dois” (De Consensu Evangelistarum)
OBEDIÊNCIA: disposição interior do coração dependente da vontade de Deus, aceitou a total dependência de Deus sem jamais questionar aquilo que Deus lhe pedia.
JUSTIÇA: fiel cumpridor da Lei, os Mandamentos de Deus, nos quais eram expressos seus santos e sábios desígnios. Consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido, impulsionando à caridade perfeita.
TEMPERANÇA: é a virtude que modela a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados.
PRUDÊNCIA: é a virtude que capacita à razão “discernir” o bem verdadeiro e escolher os meios adequados a realizá-lo. (CIC - 1809)
CASTIDADE: comporta a integridade da doação:
* A integridade é o domínio de si;
“A pureza de Maria não é somente a responsabilidade, mas também a propriedade de seu virginal esposo. Ela pertence a ele pelo matrimônio ... Ó virgindade frutuosa! Se sois a propriedade de Maria, sois também a propriedade de José. Maria fez voto de virgindade; José o guarda; e os dois esposos o apresentam ao eterno Pai como um tesouro preservado pela sua solicitude comum. Se José tem uma parte tão grande na santa virgindade de Maria, ele também partilha do fruto que ele traz; e é por isso que Jesus é seu Filho”. (Primier Paneg. de S. Joseph, pt. 1)
* A integridade é a orientação deste domínio de si como auto-doação para testemunhar ao próximo a fidelidade e ternura de Deus.
“Explico muitas vezes que se uma pomba ... deixa cair uma tâmara do seu bico, para dentro de um jardim, dizemos que a palmeira que nascer dessa tâmara pertencerá ao dono do jardim. Se assim é, quem poderá duvidar que quando o Espírito Santo deixou cair uma semente divina no “jardim fechado” da Santíssima Virgem (um jardim selado pelo voto de virgindade e uma castidade imaculada) e um jardim que pertence a José como uma mulher pertence ao seu marido, quem, eu pergunto, poderá negar que a divina palmeira, que produz frutos de imortalidade, pertence ao bem-aventurado José ? São Francisco de Sales - Oeuvres Séc. XIX
MISSÃO DE JOSÉ: Proteger Maria, a Mãe do Salvador e o próprio Senhor. Essa proteção se manifestava principalmente na manutenção da família, através do exercício de sua profissão de carpinteiro, ganhando para o PÃO DO CÉU, o pão de cada dia.
São José trabalhava, punha-se a serviço de todos aqueles que tinham necessidade dele para resolver algum problema. Deus chama José para ser responsável, o “cabeça”, o chefe daquela família inigualável.
DEVEMOS BUSCAR COM EMPENHO AS VIRTUDES DE JOSÉ.
JOSÉ E MARIA, SILÊNCIO DE CONTEMPLAÇÃO E OBEDIÊNCIA!