COMUNIDADE DE ALIANçA
Assim como na Comunidade de Vida, na de Aliança somos chamados também a perde-se para encontrar a Deus e os irmãos. A Comunidade de Aliança é formada também na diversidade de estados de vida, temos casados e solteiros (em discernimento de sua vocação), sendo composta de jovens, crianças (filhos dos casados) e adultos. Vivemos também as três dimensões do nosso carisma: Oração, Fraternidade e Missão, observando, de acordo com cada estado de vida, os três conselhos evangélicos de: Pobreza, Obediência e Castidade. Exercemos trabalhos nas obras da Comunidade e também atividades profissionais externas. Como na Comunidade de Vida observamos alguns pontos:
A Vivência Familiar: Assumimos a nova família que Deus nos deu com nosso irmãos de comunidade, formado assim a “Família de Amor” como cita o Catecismo no número 1657:
“Família de Amor como Maria, José e Jesus, redutos de uma vida cristã num mundo incrédulo: na recepção dos sacramentos, na oração e na ação de graças, no testemunho de uma vida santa, na abnegação e na caridade ativa. Lugar onde se aprende a fadiga e a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e mesmo reiterado, e sobretudo o culto divino pela oração e oferenda de sua vida”
Assim Deus nos reuniu como membros da Comunidade de Aliança, para que, crescendo no convívio com os irmãos, possamos crescer no convívio com o Senhor, tendo como base o carisma “Epifania ”
Somos chamados a testemunhar este modo de vida, como família de amor, dentro e fora do lar tornando-nos instrumentos de evangelização, pacificação e santificação nas famílias, para edificar autênticas igrejas domésticas.
A Vivência profissional: Cada membro da Comunidade de Aliança possui seu trabalho seja ele na obra ou no mundo, mas a missão, ou seja, o trabalho na “messe do Senhor” é uma condição essencial do nosso carisma, como na família de Nazaré que vivia do trabalho na carpintaria, como cita o nosso carisma: “Nazaré nos dá uma lição de comunhão e missão. Casa do filho do carpinteiro que nos permite compreender e celebrar a lei severa e redentora do trabalho humano; restabelecer a consciência da nobreza do trabalho, lembrando-nos que este pode ser um fim em si mesmo mas que sua liberdade e nobreza resultam, mais que de seu valor econômico, dos valores que constituem o seu fim missionário.”
Assumimos com afinco as atividades materiais e espirituais das obras da comunidade, participando no mínimo de um ministério da obra, investindo ao máximo para cumprir as tarefas a nós confiadas, usando plenamente os dons do Espírito em cada função por menor que seja.
Enfim somos chamados a santificar o mundo do trabalho, “fazendo tudo de bom coração, como para o Senhor e não para homens ...” Col. 3, 23
A Vivência Econômica: A Comunidade de Aliança é chamada a viver a pobreza evangélica, não pela renúncia total dos bens materiais mas “possuir como se não possuísse” como cita nosso carisma: “Os cristãos que hoje queiram ser verdadeiros cristão, são chamados a viver a pobreza de Nazaré, a viver frugalmente, com respeito pelas coisas que Deus lhes deu, sem a ambição de aumentar suas necessidades, mas vivendo como a Epifania, procurando amar a Deus com toda a mente e com todo o coração. Somos chamados a viver a pobreza de Cristo em Nazaré porque não miramos as coisas que vemos mas as que não vemos, as eternas.”
Assim somos chamados a não só doarmos o Dízimo de nossa renda pessoal para a Comunidade, mas a nos dispormos a amparar os “novos filhos e irmãos” que Deus nos coloca dentro e fora da Comunidade, estando, atento as necessidades materiais, afetivas e espirituais de cada um.
Os Estados de Vida: Como na Comunidade de Vida, possuímos a diversidade dos estados de vida, possuindo casais, celibatários e solteiros em discernimento de sua vocação. Somos chamados também a fecundidade nos mais variados estados, os casados que geram vidas naturais e os celibatários que geram filhos espirituais.
A Intimidade com Deus: “A Família de Nazaré era uma comunidade orante e a exemplo dela somos chamados à oração: de louvor, como no Magnificat; de intercessão como Maria nas bodas de Caná; de escuta como Maria que silenciava diante da Palavra / Verbo Divino e o conjugava através de suas atitudes e também de José nos sonhos noturnos, obediente a vontade de Deus , e a de contemplação como Maria aos pés da Cruz. ” (Carisma Epifania)
A Vivência Fraterna: Nas nossas regras a fraternidade é exigida como a da família de Nazaré e somos chamados a vivar o “bem comum acima do bem particular”, assim como o grão de trigo morremos para nós mesmos afim de que renasça a vida fraterna.
Amando nossa própria vocação, experimentando a comunidade como a nossa verdadeira família, vivendo relações de fraternidade e amizade, no trabalho diário na obra, nos lazeres comunitários, evitando comentários negativos e estando pronto a reconciliar diariamente as ofensas promovendo e elogiando os irmãos.
A Obediência: “Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Nesta escola, compreende-se a necessidade de uma disciplina espiritual para quem quer seguir o ensinamento do Evangelho e ser discípulo de Jesus.” (Carisma Epifania)
“Cada qual seja submisso às autoridades constituídas , porque não há autoridade que não venha de Deus. Assim aquele que resiste à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus; e os que a ele se opõe atraem sobre si a condenação”. (Rom 13,2)
A obediência de Maria e José são exemplo de submissão para cada membro da Comunidade, assim como a obediência de Jesus aos seu pais. (Lc 2, 51)
Um membro da Comunidade deve obediência ao seu formador pessoal, ao coordenador do ministério onde serve o membro, no âmbito do serviço e, por fim, ao Coordenador da Comunidade.
COMUNIDADE DE ALIANÇA RESIDENCIAL
Comunidade de Aliança Residencial - O que é? É uma vocação, chamado de Deus, dado àqueles irmãos que, numa consagração plena a Deus e a seu Reino, propõem-se a viver segundo o carisma da Comunidade. Deixam seus lares e edificam novos em um terreno comunitário, procurando viver em fraterna comunhão. Espelham suas vidas na família de Nazaré, numa vida cotidiana sem grandeza aparente, vida de trabalho, vida de regras e vida comunitária. (Catecismo 531)
Fundamentação Bíblica: “José levantou-se, tomou consigo o menino e sua mãe, de noite, e retirou-se para o Egito.” (Mt 19,21) “.... ao que crê no seu nome, deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus”. (Jo 19,12)
Jesus, o Filho, se faz totalmente homem, vive como homem e morre carregando sobre si todo pecado do mundo.
Para realizar nossa salvação, Jesus foi concebido, nasceu, viveu, padeceu, morreu, ressuscitou e subiu gloriosamente ao céu.
É evidente que Jesus, poderia ter escolhido caminho menos espinhoso e doloroso. Escolheu, entretanto, o mais árduo e penoso para se solidarizar com nossos sofrimentos e dores, dando-nos exemplo e força na nossa caminhada.
Para que essa edificação pudesse ser construída era necessário começar pela base: nascer como homem. Logo era necessário uma família, que com todo amor pudesse gerar, alimentar, educar, e proteger aquele que seria Rei, Senhor e Salvador. Uma família, uma Comunidade!
Fundamentação no Carisma: A Comunidade de Aliança Residencial quer ser o espelho da vida oculta de Jesus em Nazaré.
“Nazaré é a escola na qual se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho...Primeiramente, uma lição de silêncio. Que nasça em nós a estima do silêncio, esta admirável e indispensável condição do espírito...Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, sua comunhão de amor, sua beleza austera e simples, seu caráter sagrado e inviolável...Uma lição de trabalho. Nazaré, ó casa do “Filho do Carpinteiro”, é aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei severa e redentora do trabalho humano...mostrando ao mundo o seu grande modelo, o irmão divino” Papa Paulo VI - 1964
REGRAS DA COMUNIDADE DE ALIANÇA RESIDENCIAL
AS REGRAS: A Comunidade através de suas regras é um dom do alto que deve ser realizada mais do que com nossas forças, com nossa oração. No cumprimento das regras não importa tanto a observância externa mas o espírito com que a regra é observada. A regra não é lei que escraviza, laço que prende, ou peso que oprime. É a liberdade da lei e a lei da liberdade. Acolher e viver as regras da COMUNIDADE DE ALIANÇA RESIDENCIAL nos ensinam a submeter a nossa vontade à vontade do Pai assumindo seu Senhorio em nossa vida. (cf. Jo 4,34).
Fundamentação Bíblica: “Desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso... E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e diante dos homens.” (Mt 2,52).
A submissão/obediência faz parte do seguimento a Jesus que foi “obediente até a morte e morte de cruz” (Fil 2,8). Aprender pela obediência o ser fiel a Deus através das regras e autoridades constituídas por Deus na COMUNIDADE DE ALIANÇA RESIDENCIAL e assim ser levado à perfeição é estar unido a Jesus na vida oculta de Nazaré, pelos caminhos mais cotidianos da vida (cf. CIC 533)
1. “Uma vida cotidiana sem grandeza aparente”: Na comunidade de aliança residencial, o conselho evangélico da pobreza se manifesta através de vários modos:
· Casas num terreno comum: Os moradores constróem suas residências em um terreno comum, pertencente a comunidade, sendo usuários vitalícios, cuja posse pertence a comunidade. È possuir como se não possuísse.
· Uso dos bens materiais: A simplicidade deve ser uma marca do membro de aliança residencial, desde a sua maneira de se vestir, quantidade de roupas, alimentação, eletrodomésticos, veículos dentre outros.
2. “Uma vida de trabalho”: Na comunidade de aliança residencial, o trabalho tem duas dimensões, no mundo e “na vinha do Senhor”.
· No mundo: O trabalho também é uma característica da aliança residencial, uma vez que deseja espelhar a pessoa de São José, trabalhador, que ensina o ofício a Jesus. Um trabalho que sustente sua família de laços de sangue e também a família de laços comunitários, “repartindo entre os irmãos, segundo à necessidade de cada um”. O mundo é lugar de santificação para os leigos como cita João Paulo II na Encíclica Chritifidelis Laici, n°17 “A unidade da vida dos fiéis leigos é de enorme importância, pois eles tem que se santificar na normal vida profissional e social. Assim, para que possam responder à sua vocação, os fiéis leigos devem olhar para as atividades da vida cotidiana como uma ocasião de união com Deus e de cumprimento de sua vontade e também como serviço aos demais homens, levando-os à comunhão com Deus em Cristo”.
Por isso o trabalho no mundo nunca pode ocupar lugar maior do que a vida comunitária.
· Na Vinha do Senhor: Em resposta às exigências de santidade radicadas no Batismo, a Comunidade de Aliança Residencial participa da procura da perfeição evangélica na comunhão com a diversidade de dons, mas segundo seu carisma peculiar, a serviço da missão comum da Igreja. O empenho exigido é a fidelidade ao Carisma da Comunidade.
Os serviços apostólicos são determinados pelo Conselho da Comunidade e ficam sob a orientação dos coordenadores dos respectivos ministérios.
“Uma vida religiosa, submetida a lei”: As regras, ao contrário do que possa parecer, nos libertam de maus hábitos, costumes, valores da nossa educação e cultura quando incompatíveis com os valores do Reino. É necessário deixar-se lapidar pelo Espírito Santo, santificador das almas, para que o diamante existente em nós – a imagem e semelhança de Deus, brilhe, manifestando assim a Sua glória. Ele age através dos irmãos que Deus pôs ao nosso lado, são instrumentos da ação educadora de Deus Pai, tanto nas contrariedades e na correção fraterna como nas alegrias do dom comum, da vida partilhada, da amizade construída, do amor recíproco (cf. Hb 12, 5-13).
4. “vida na comunidade”: “Vede: como é bom, como é agradável habitar todos juntos, como irmãos.” Sl 133 A palavra habitar tem como significado “viver em”. Comunidade de Aliança Residencial não é somente o morar num mesmo terreno, pois a esta forma podemos denominar um condomínio fechado ou coisa parecida. COMUNIDADE DE ALIANÇA RESIDENCIAL é “viver em”, viver em Deus. Este é o sentido de habitarmos juntos, numa terra, como irmãos, formando uma família gerada não por laços de sangue humano mas pelo sangue de Cristo. Viver em COMUNIDADE DE ALIANÇA RESIDENCIAL é “arriscar-se” a cada dia para fazer a experiência Trinitária da doação de si aos outros. É a comunhão em meio a diversidade. Numa COMUNIDADE DE ALIANÇA RESIDENCIAL não somos nós que escolhemos o nosso vizinho para habitarmos próximos mas é Deus quem escolhe. Essa escolha divina não segue critérios humanos como as idades, nível cultural, afinidades, sexo, cor... A escolha divina está na gratuidade da eleição, no dom comum, naquilo que é necessário para nossa santificação: “O irmão que está ao meu lado é a minha possibilidade para chegar a Deus.” – D. João Brás Aviz.
“Quando alguém se perde pelos irmãos, encontra-se a si mesmo. Enquanto a sociedade ocidental aplaude a pessoa independente que sabe realizar-se por si mesma, o individualista seguro de si mesmo, o Evangelho exige pessoas que, como o grão de trigo, sabem morrer a si mesmas para que renasça a vida fraterna...” (Vida Fraterna n.º 25)
5. A Oração e o Silêncio: “Eles mostravam-se assíduos aos ensinamentos dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações.” At 2,42. A oração comunitária tem dignidade especial visto que o próprio Cristo disse: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20).
ORAÇÃO DA MANHÃ COM A LITURGIA DAS HORAS– Desta forma, a Comunidade de Aliança Residencial reponde ao apelo da igreja, que convida a família a rezar, conforme cita respectivamente a Introdução Geral a Liturgia das Horas – IGLH, n°27 e 32 “Finalmente, convém que a família, qual santuário domestico da igreja, não apenas reze a Deus em comum, mas celebre além disso algumas partes da Liturgia das Horas segundo pareça oportuno, inserindo-se com isso mais intimamente na igreja” e “As demais comunidades leigas e a cada um de seus membros recomenda-se que, tanto quanto permitirem as condições em que se encontram, celebrem algumas partes da Liturgia das Horas, que é a oração da Igreja e que faz todos os que estão dispersos terem um só coração e uma só alma”
È importante lembrar que a Comunidade Epifania iniciou a sua fundação com este tipo de oração diária.
Os membros da Comunidade de Aliança Residencial, rezam a Oração da Manhã em suas casas, com sua família, e sempre que houver uma ocasião, por motivo de reunião, vivência fraterna ou outra forma reza-se em conjunto com os demais membros.
A palavra de Deus da Oração da Manhã, pode ser substituída pelas leituras da Liturgia da Palavra ou Evangelho do Dia.
COMPLETAS: Reza-se conforme descrito no carisma e regras da Comunidade Epifania, sendo recomendável a oração em família, momento de reconciliação e partilha do dia vivido entre os membros da casa.
TERÇO DIÁRIO: É a maneira pelo qual pedimos a intercessão da Mãe e de São José junto ao seu Filho Jesus por todas as necessidades da Comunidade.