A Epifania é uma vocação, um chamado de Deus para os novos tempos e as novas formas de vida comunitária que a Igreja tanto clama para o mundo.
A vocação passa pelos homens, mas temos a certeza de nascer no coração de Deus. Deus suscita vocações no interior da Igreja para responder aos novos desafios que esta tem que enfrentar. Elas nascem para edificar e enriquecer a Igreja e Deus tem suscitado as mais variadas vocações, que são manifestações divinas e não obras meramente humanas.
Através dos vários movimentos religiosos, temos visto surgir muitas vocações no interior da Igreja, com modelos e formas novas de se viver, preservando a identidade carismática do batismo no Espírito Santo.
Existem vocações na Igreja que se definem pelo serviço, por obras assistenciais, outras pela sua maneira de vida como oração contemplativa, outras pela formação e evangelização e etc.
Nós da Comunidade Epifania servimos a Igreja em vários níveis de atuação tanto no SER, como no FAZER, destacamos alguns:
1. EPIFANIA, Deus nos deu um nome e por este nome Ele nos chama: “Família Epifania”. O termo epifania significa manifestação. É a manifestação do Filho de Deus a todos os povos e nações. Na festa da Epifania a Igreja celebra a manifestação do Filho de Deus ao povo pagão para levá-lo a adorar o Deus Único e Verdadeiro na pessoa de Jesus Cristo. É um nome fecundo porque gera filhos para Deus e missionário porque a manifestação do Filho de Deus é para todos os povos e nações.
2. “CHAMADOS A MANIFESTAR A GLÓRIA DE DEUS NO MUNDO.” Nós adoramos o Senhor Jesus (Fil 2,11), Verbo encarnado (Jo1,14), Deus Conosco (Mt 1,23) que provê às nossas necessidades no plano espiritual e material (Mt 6, 24-34), reconhecendo-O como Deus Único e Verdadeiro que nos leva a testemunhar com nossas ações, vida fraterna e anúncio que Ele está vivo e presente no meio de nós para a consumação do plano da salvação. Por meio da Consagração, somos capacitados pela graça, a viver uma vida digna da vocação a que fomos chamados (nossas ações), com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando-nos mutuamente com caridade, prontos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da Paz (cf. Ef.4,1-3) - (vida fraterna), testemunhando Aquele que nos consagrou (nossa missão).
3. A glória de Deus é, a manifestação da presença divina que se revela por meio de Jesus Cristo. Portanto, a presença divina pode ser reconhecida, vista pelos homens através da fé, do poder, da providência, da cura, da ação de Jesus Cristo no homem presente no mundo. Nós da Comunidade Epifania temos como carisma manifestar a glória de Deus no mundo. Só podem manifestar a glória de Deus: os pobres (Mt 5,3), os pequeninos (Mt 18,4), os humildes (Mt 20,26-27), os doentes (Mt 10,8), dentre outros. Temos inúmeros testemunhos desta verdade no Evangelho.
4. Para manifestar a glória de Deus é essencial amá-lo acima de tudo, reconhecendo quem Ele é e quem somos. Reconhecer a nossa pequenez: Ele é o Rei e eu sou servo; Ele é o Santo e eu sou pecador; Ele é a Pérola Preciosa e eu a pobreza; Ele é o Tudo e eu diante dele o nada.
5. Dentre as manifestações de Deus destacamos: a pessoa de Jesus Cristo (Jo 1,14), a sua Palavra (Mt 7, 24) e a Eucaristia (Lc 22,19-20 ; 24,30-32).
Na pessoa de Jesus Cristo: Deus é presente no tempo e na história dos homens, assim a nossa espiritualidade é a da encarnação de Cristo: Deus Conosco, O Pobre de Javé, Nascido em Nazaré, que se fez nosso companheiro de caminhada, dando novo significado à nossa história, que é uma via a percorrer. Nesta via, somos renovados pelo batismo no Espírito Santo, que nos capacita com seus dons e carismas nos unindo na fidelidade e no amor fraterno rumo ao novo céu e nova terra.
Da sua Palavra: Nós só podemos adorar a quem conhecemos e a medida para sabermos se conhecemos Jesus Cristo, o Verbo encarnado, é o quanto conhecemos a sua palavra. O estudo da palavra de Deus e da doutrina da Igreja nos leva a conhecer e testemunhar , o nome, a doutrina, a vida , as promessas, o Reino, o mistério de Jesus de Nazaré, o filho de Deus.
Da Eucaristia: A Eucaristia é presença visível de Deus no nosso meio, alimentando-nos diariamente para podermos viver nossa vocação. Assim para nós da Comunidade Epifania é fundamental a presença de Jesus Eucarístico onde a comunidade se faz presente, seja na casa de vida fraterna (comunidade de vida), na casa de evangelização ou obra. A adoração ao Santíssimo Sacramento é o reconhecimento do Deus Único e Verdadeiro, nossa fonte de paz e alegria (Mt 2, 9b-11). Em nossa espiritualidade, a adoração ao Santíssimo Sacramento é nossa forma principal de oração. Os sacramentos precisam ser completados pela contemplação/oração, para nos santificar. A vida divina recebida nos sacramentos precisa ser contemplada na meditação. É a fonte que nos leva a ação. Contemplar é recordar – é trazer de novo, ao coração, o amor de Deus. É pensar com amor, não necessariamente com a emoção.
A adoração nos coloca na relação adequada entre Deus e o homem e cria um relacionamento justo com Deus e com os irmãos.
Formas para nossa contemplação:
1- Adoração do Santíssimo Sacramento – relembrando a vida, morte e ressurreição de Jesus, nos mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos.
2- Adoração silenciosa diante do Santíssimo Sacramento – “eu olho para Ele e Ele olha para mim”, é abandono e entrega no amor e misericórdia do Senhor.
3- Adoração relembrando a ação de Deus na sua vida e na vida dos irmãos , adorando-O por isso.
4- Adoração diante do Santíssimo Sacramento a partir de textos bíblicos que revelam quem Ele é.
6. Ser Epifania é ser missionário, por isso o Mundo é nosso lugar. Consagrados para uma missão: “Formar filhos adoradores para Deus, pela adesão à Jesus Cristo.” Deus chamou-nos para uma missão comum. Todo o nosso modo de vida, assim como todo o nosso apostolado, tem como fim último levar outros irmãos a adorarem a Deus pela adesão a Jesus Cristo. Adorar a Deus recebendo-O na Eucaristia, adorando-O no Santíssimo Sacramento e adorando-O na escuta, meditação e vivência da sua palavra, no próximo que está ao meu lado, no pobre... .
O sentido da nossa consagração está em cumprir a missão da Comunidade. Fazer a vontade de Deus que se dá na missão da Comunidade.
“Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.” Jo 4,34
7. Outra característica está na descoberta da vida quotidiana da “Família de Nazaré”. O período Nazireno de Maria, a escolha de José como guardião da Sagrada Família, as características desta família, o seu jeito tão humano e ao mesmo tempo divino de viver. Passa a ser um até um mistério de fé a descoberta desta vivência e também um tempo de discernimento da vocação pessoal, seja ela o matrimônio, o sacerdócio ou a vida celibatária.
8. Essas descobertas só se tornam possíveis através da intimidade com Deus que se realiza pela oração pessoal e comunitária, a uma oração na intimidade de Deus, imitando Maria na oração de intercessão nas bodas de Caná, no Louvor do Magnificat, a escuta de José nos sonhos, e nosso maior modelo de imitação o seu filho Jesus, nos seus longos momentos de intima oração com o Pai.
9. Maria era “cheia de graça ”. A graça nada mais é que o dom do Espírito, como atesta o Catecismo da Igreja Católica, portanto outra característica é a Vida no Espírito. Nascemos da Renovação Carismática Católica e não podemos negar a ação do Espírito nas nossas vidas e nos trabalhos comunitários. Nós só existimos graças ao poder transformador deste Espírito em nossas vidas, então a vivência carismática passa a ser uma necessidade para nossa vocação e para servirmos a Igreja. Deus nos chamou a ser Carismáticos e é assim que servimos à Igreja.
10.A diversidade de estados de vida é uma outra característica das novas comunidades. Na nossa comunidade nós temos todos os estados de vida. Isto é uma novidade que as comunidades oferecem à Igreja. Existem casais, celibatários (leigos consagrados) e solteiros (em discernimento de seu estado de vida). Somos chamados a ser uma grande família. Na Família de Nazaré está presente a diversidade de estados de vida, desde o matrimônio ao celibato pelo Reino; da virgindade consagrada à maternidade que gerou o Filho de Deus. Vocações diferentes numa mesma família, vivendo a unidade e fraternidade. Maria, José e Jesus eram três pessoas diferentes mas numa mesma unidade e fraternidade. Também na nossa variedade de estados de vida somos chamados a unidade e fraternidade e sermos sinal da “Epifania” e buscarmos radicalmente a vivência do estado de vida que Deus nos chamou.
11.A vivência da Palavra de Deus foi também uma característica da “Família de Nazaré”, Jesus aprendeu com sabedoria, ainda na sua infância, sobre a Lei de Deus. Queremos também através da vivência diária da Palavra de Deus sermos imitadores de Cristo, aprendendo e ensinando aos pequeninos do Senhor o “Torá” a exemplo de Maria e José. Buscamos sempre uma formação fundamentada na doutrina católica e magistério da igreja e em nossos encontros procuramos levar esta formação aos filhos que Deus nos chama a formar.
12.No trabalho diário encontramos outra característica da “Família de Nazaré”. Somos chamados a descobrir a alegria e a união do trabalho como José e Jesus na carpintaria, e também nos trabalhos da casa como Jesus aprendeu com Maria sobre o fermento na massa, o sal, o pão e o vinho e etc. Na diversidade de profissões somos chamados a impregnar no mundo nossa vocação, como afirma nosso Papa João Paulo II na encíclica Chistifideles Laici nº 15 “O mundo torna-se assim o ambiente e o meio da vocação cristã dos fiéis leigos”. E também no trabalho comunitário, na missão exercida por todos encontramos a alegria, a fraternidade e o despojamento da Família de Nazaré.
13.A fraternidade é primeira característica das primeiras comunidades cristãs : “Vejam como eles se amam” . Somos chamados também a viver intensamente esta fraternidade das primeiras comunidades como também da “Família de Nazaré”, a deixar Deus gera-la em nós. É um chamado a amar, acolher e perdoar diariamente, quebrando nosso orgulho e ir até o outro.
14.Como a Família de Nazaré, comprometemos com a vivência dos conselhos evangélicos: pobreza, obediência e castidade. Jesus, como atesta São Paulo em Fil 2,8 , obedeceu ao Pai até a morte e morte de cruz.
15.Para nós católicos o amor a Maria é uma característica forte, e nós na nossa vocação “Epifania” temos uma relação com a Mãe do Salvador, com sua maneira de gerar e formar o Cristo em nós. Por isto todos os membros da comunidade devem rezar no mínimo um terço todos os dias.
16.O amor à Eucaristia, e sua busca diária é uma meta na comunidade, acompanhada pela regular e freqüente busca ao sacramento da reconciliação e também um amor muito grande a Jesus eucarístico. Devemos, como Jesus, “buscar as coisas do Pai”.
17.E por fim, nossa relação com a Igreja. Nós existimos em função da Igreja. É para isto que Deus nos constituiu: para servir à Igreja. Então somos chamados a viver em total obediência à Igreja. Obediência ao Santo Padre, obediência aos nosso Bispo e seus presbíteros. Caminhamos em comunhão com a Igreja e ao seu serviço. E a melhor maneira de servir, é sermos fiéis ao carisma que Deus nos deu. A vocação Epifania é para o serviço à Igreja.