1Jo 4,7-11 - Gl 4,4
Deus é amor ;Deus é comunhão! A comunhão é sinal e reflexo do amor, o amor é o conteúdo da comunhão. O amor supõe alguém que ama, o que é amado e o próprio amor. Deus é amor: ele é Trindade.
Na Trindade o Pai é aquele que ama, a fonte e principio de tudo; o Filho é aquele que é amado; o Espírito Santo é o amor com que se amam. O amor do Pai se volta para o Filho, mas não termina nele e não para nele: através dele se estende ao Espírito Santo.
O mesmo acontece fora da Trindade: o amor de Deus vem até nós mas não termina em nós, envolve-nos com seu amor e nos impele a amar com o mesmo amor com que ele nos ama.
Como se manifestou o amor de Deus? Ele enviou o seu Filho ao mundo para que vivêssemos por meio dele (cf. 1Jo 4,9). A história da salvação tem seu ponto culminante e significado supremo em Jesus Cristo. Nele, todos nós recebemos graça sobre graça; somos reconciliados com o Pai.
O nascimento de Jesus em Belém não é um fato que se possa relegar para o passado. Diante dele está a história humana inteira: o nosso tempo atual e o futuro do mundo são iluminados pela sua presença. Ele é o Vivente: ’Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, o Que Vive; estive morto, eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do Hades.”( Ap 1,17c-18).
Cada homem ao encontrar Cristo, descobre o mistério da sua própria vida. Jesus é verdadeiramente a realidade nova que supera tudo quanto a humanidade pudesse esperar, e tal permanecerá para sempre ao longo de épocas sucessivas da história. Deste modo a Encarnação do Filho de Deus e a salvação que realizou com sua morte e ressurreição são o verdadeiro critério para avaliar a realidade temporal e qualquer projeto que procure tornar a vida do homem cada vez mais humana.
O CAMINHO DA ENCARNAÇÃO
Fazendo este caminho, primeiramente vemos em quem Jesus se encarnou: em Maria, uma jovem da Galiléia. No Magnificat Maria nos diz algo fundamental para a compreensão da Encarnação: que esta se deu na humildade, fraqueza e pobreza. Deus decidiu revelar-se, escondendo-se.
No Antigo Testamento, Deus revela-se como o defensor dos pobres, o Deus que olha para o humilde; na Encarnação Ele se faz pobre e humilde.
Na história ou na vida de uma pessoa o fato marcante é o seu início; o início é decisivo, marca para sempre (ex: descobrimento do Brasil; o chamado de Deus na vida dos santos; a decisão vocacional de uma pessoa) . Assim, na vida de Jesus, a novidade maior não está na Paixão, mas sim na Encarnação. E na Encarnação o mais importante é a descida na Virgem e não o nascimento na manjedoura. Não na escolha de um lugar pobre no qual nascer, mas na escolha de uma Mãe pobre de quem nascer. Assim vemos o modo como o Redentor salvará o seu povo: na pobreza, sofrimento, humildade e obediência.
Por que Deus se fez homem? “Por nós ,homens, e para nossa salvação , desceu dos céus; e se encarnou pelo Espirito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem”.(Símbolo Niceno-Constatinopolitano)
Assim sendo, Deus salva o homem assumindo-o em si: salva o corpo assumindo um corpo; salva a alma assumindo uma alma; salva a vontade e a liberdade, assumindo uma vontade e liberdade humana. Deus se faz homem para divinizar o homem: assume nossa humanidade para nos dar em troca sua divindade.
COMUNHÃO COM OS HOMENS
“Caríssimos, se Deus nos amou a tal ponto, nós também devemos amar-nos uns aos outros”.1Jo 4,11
O amor de Deus sempre provoca a saída para fora de si mesmo. Ficar parado no primeiro movimento, ser apenas destinatário do amor de Deus, seria como deter o fluxo de água de um rio. Ele se tornaria um brejo, um charco de água parada. O Espírito Santo nos leva à ousadia do amor. Amar num ato de vontade, sem arroubos emocionais; amar a todos, os próximos e os distantes. Amar a quem nos ama e sobretudo a quem não nos ama.
Pedimos a Deus a caridade do seu amor – pois somos necessitados – e Ele nos pede que demos primeiro a ele e ao próximo o pequeno amor de que dispomos ( como a viuva de Sarepta, 1Rs 17,8-16; ou a pecadora perdoada, Lc 7,36-50).
Vivência da comunhão com Deus: Na oração pessoal e comunitária, com cânticos e hinos espirituais, no louvor e na adoração, com jubilo em Deus nosso Salvador.
Com os homens: a comunhão com Deus no leva a dar frutos. Na partilha do pão e da Palavra; no apostolado e obra; no acolhimento e escuta do irmão. Fazer comunhão entre nós para transbordar a todos os povos num irresistível impulso missionário.