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CARISMA EPIFANIA



 

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JO 18 E 19 – A MORTE

A MORTE – JOãO 18 e 19

1- INTRODUçãO:

Estamos em preparação para a celebração de consagração. Esta celebração é a profissão pública do meu sim para uma vida de consagrado,  onde eu assumo publicamente não apenas seguir o Mestre mas abraçar a sua vida vivendo, fazendo e sendo o que Ele viveu, fez e foi. É ser de Jesus, ter uma vida diferente das outras pessoas por AMOR a Jesus.

Esta resposta de amor é dada a um chamado específico que Ele fez, num carisma específico, sendo assim, a Comunidade Epifania é o lugar escolhido por Deus para que eu O ame e através da Missão da Comunidade eu possa fazer o que Ele fazia.

Consagrar um ser é separá-lo do domínio profano para introduzi-lo integralmente e para sempre na esfera de Deus. A santificação é obra do Pai Santo (Jo 17,11)

 

Os capítulos 18 e 19 do Evangelho de S. João narram a Paixão de Jesus Cristo.

 

2- A Prisão de Jesus – Jo 18, 1-11:

“Sou eu” – recuaram e caíram por terra. O nome de Deus “Eu sou” , Deus é. Diante do nome de Deus, todo joelho se dobra. Eu Sou aquele que É, o único verdadeiramente existente, significa que Ele é transcendente e permanece um mistério para o homem.

Ex 3,13-20 = revelação do nome divino.

Ap 1,8 = “Aquele que é, Aquele que era e  Aquele que vem, o Todo Poderoso.

Qual a nossa atitude diante Daquele que É?

O CONSAGRADO TEM TODA REVERÊNCIA DIANTE DE DEUS, CAI POR TERRA, DOBRA A SUA VIDA DIANTE DO SENHOR.

 

3- O Cálice

Mt 20, 20-23: “Podeis beber o cálice que vou beber? ...; isto será dado àqueles para quem foi preparado por meu Pai” . 

Vemos três momentos em que Jesus refere sua vida a um cálice a ser bebido. No primeiro, em Mt, Jesus pergunta se os dois filhos de Zebedeu podem beber do cálice que Ele vai beber. O que Jesus pergunta é: “Podeis beber o cálice? Podeis beber até o fim? Podeis sentir todas as tristezas e alegrias? Podeis viver a vida intensamente não importando o que ela possa trazer? Podemos segurar nossas vidas, levantá-las  e bebê-las, da forma como Jesus o fez? Esta é a pergunta que Jesus faz aqueles que ele chama à uma consagração. Na missa você está respondendo a Jesus que sim, como os filhos de Zebedeu.

Jesus não quer que seus amigos sofram, mas sabe que, assim como para si, o sofrimento era o único e necessário caminho para a glória. Mais tarde ele diz aos discípulos de Emaús – seus amigos: “Não era preciso que o Cristo sofresse para entrar em sua glória?” (Lc 24,26).

 

Mt 26,39: “Pai, se for possível, afasta de mim este cálice.”

Mas por que deveríamos beber este cálice? Há tanta dor, tanta angústia e tanta violência! Por que deveríamos beber o cálice? Seria mais fácil viver vidas normais com o mínimo de dor e o máximo de prazer? Erguer o cálice da nossa vida é a plena celebração do ser humano.

CIC 30 – Santo Agostinho: “...Por que nos fizeste para vós e o nosso coração não

descansa enquanto não repousar em vós.”

Os amigos mais chegados, Tiago e João, aos quais  ele havia perguntado se poderiam beber o cálice que ele iria beber, estavam com ele, mas adormecidos em sono profundo sem condições de fazer-se presentes a sua tristeza. Momento de solidão. Jesus achava que não poderia beber o cálice cheio de tristezas até a borda. Mas por que Ele pôde dizer sim? Por que além de todo abandono vivido por seu corpo e sua mente Ele possuía uma ligação com Aquele a quem chamava de Abbá. Ele possuía uma confiança que ia além da traição, uma entrega que vai além do desespero, um amor além de todo o medo. Uma intimidade com o Pai que o permitia orar pedindo que se afastasse aquele cálice dele.

No cálice da vivência da nossa vocação, há dor, sofrimento para abraçar, muita agonia para viver, tristezas e solidão mas como Jesus, se temos intimidade com o Pai, se nossa relação com Deus é de Abbá, então teremos confiança  para ir além da traição, uma entrega para irmos além do desespero, um amor para irmos além de todo o medo.

Em meio a angústia de Jesus houve um momento de consolo. Apareceu um anjo que o fortificava. Lc 22,43. Isto significa que em meio a dor, sofrimento, angústia, tristeza, há consolo, em meio às trevas há luz, em meio ao exército de demônios está o anjo consolador! Isto significa que o cálice da tristeza é também o cálice da alegria.

SOMENTE QUANDO DESCOBRIRMOS ISTO EM NOSSA VOCAÇÃO É QUE PODEREMOS BEBÊ-LO

Jo 18,11b: “Deixarei eu de beber o cálice que o meu Pai me deu?”

Ao falar isto Jesus não está mais tomado de angústia, Ele agora está com grande força, dignidade e liberdade interior. Segura seu cálice com tristeza mas também com alegria e a alegria está em viver e fazer a vontade do Pai cumprindo assim sua missão.

As alegrias estão escondidas nas tristezas! Quando somos esmagados como uvas não podemos ficar pensando no vinho que estamos prestes a nos transformar senão ficamos tristes, desanimamos e não queremos ir até o fim. Precisamos lembrar que o nosso cálice da tristeza é também o cálice da alegria e que um dia estaremos em condições de apreciar a alegria tanto quanto hoje sentimos a tristeza.

v     Quando cada um de nós puder segurar firmemente seu próprio cálice dentro da vocação. Com suas tristezas e alegrias, assumindo que não há outra vida para nós senão esta, então poderemos erguer nossos cálices juntos, encorajando-nos a erguer nossas vidas também, apoiando-nos uns aos outros sem medo, em nossa jornada comum, vivendo comunidade. As pessoas que estão na mesma jornada se oferecerão para nos encorajar, dar amizade e amor. É ter pessoas ao nosso redor que representam Deus para nós e a quem podemos revelar quem realmente somos em total confiança.

O sim incondicional de Jesus a seu Pai lhe dá poder para beber seu cálice, não passivamente, mas com conhecimento pleno de que sua hora final seria também a hora da sua glória.

 

4- JESUS DIANTE DE ANÁS E CAIFÁS. NEGAÇÕES DE PEDRO:

Negar Jesus para nós é negar a consagração feita, negar a vocação. Como podemos negar a nossa vocação?

Negar o chamado, abandonar a consagração, contra testemunho, criticando a comunidade, não assumindo-a publicamente, vivendo como todas as outras pessoas que não são consagrados a Deus num carisma específico, não realizando a missão com zelo, criticando os irmãos...

Mesmo quando O negamos Deus permanece fiel e continua a nos perguntar: “Pedro tu me amas? Apascenta minhas ovelhas.”

 

5- JESUS DIANTE DE PILATOS: CONVICÇÃO

Jesus tinha convicção da sua missão, do cálice a beber, da vontade do Pai por isto estava sereno e seguro.

Por vários momentos na nossa vida somos e seremos levados diante de tribunais (no mundo do trabalho, na família, na escola, nas amizades e no lazer) e interrogados a respeito da nossa vivência, do nosso modo de vida, da consagração feita, até dentro da própria Igreja.. A convicção da vocação é fundamental para que tenhamos a serenidade e segurança necessárias nestes momentos.

“MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO” – O reino dos consagrados não este aqui. Querer ganhar esta vida não faz parte do projeto de vida de um consagrado. O sucesso pessoal transforma-se no desejo de ser santo e santa; a realização profissional é transformada no ardor missionário e grande zelo pela missão, o querer tornar-se famoso é canalizado para o desejo de que a comunidade cresça e se torne conhecida para que muitos experimentem da mesma graça; o desejo de riqueza torna-se partilha e compromisso com a obra...

“PARA ISTO NASCI E PARA ISTO VIM AO MUNDO”CONSCIÊNCIA

Conhecimento da vocação e da missão. Como posso amar o que não conheço?

Um consagrado que se preze deve conhecer a sua vocação e saber falar dela. Conhecer a fundo o carisma e saber explicá-lo para vivê-lo bem; saber qual a missão da Comunidade e falar dela com todo ardor. Saber falar da face de Cristo que a Comunidade revela ao mundo e por isto a face de Cristo que você também revela. Do que a espiritualidade da Comunidade Epifania se alimenta? Este é o seu alimento.

A espiritualidade da Comunidade Epifania se alimenta da Eucaristia e da adoração ao Santíssimo Sacramento.

CONHECER SUA VOCAÇÃO E MISSÃO É CONHECER A SI MESMO.

Quando estamos comprometidos com a vontade de Deus e não com a nossa, logo descobrimos que aquilo para o qual somos chamados são ações que nos trazem verdadeira alegria e paz.

O que Deus nos chama a ser e fazer, nós podemos ser e fazer bem porque foi Ele que nos chamou e não nos dá nada que não podemos suportar.

“E ESCOLHERAM A BARRABÁS” – Ao darmos testemunho da verdade poderemos ser trocados por outros que não dão testemunho da verdade mas  vivem segundo os valores deste mundo. Podem, por exemplo, escolher no emprego, um que não seja “tão honesto”.

 

6- HUMILHAÇÃO, FLAGELO E CRUCIFIXÃO

Toda a humilhação, injustiça,  dor física, flagelo que Jesus passou foi possível pela certeza da vocação e missão. Certeza da sua filiação divina e amor ao Pai. Por isto foi obediente até a morte e morte de cruz. A glória que o Pai lhe deu foi pela sua  obediência até a morte: “ E, achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte e morte de cruz! Por isso Deus o sobreexaltou grandemente e o agraciou com o Nome que é sobre todo o nome.” Fil 2,8-9  - Heb 5, 7-10

Na nossa humilhação podemos nos aproximar de Jesus humilhado e dizer estou aqui contigo Senhor!

Quando somos injustiçados nos colocamos ao lado de Jesus diante do Tribunal e falamos estamos aqui contigo Senhor!

Nas doenças, cheios de dor físicas podemos olhar para Jesus coroado de espinhos, flagelado cheio de dor, abraçá-lo e dizer estou sentindo dor junto do Senhor!

Na solidão podemos nos colocar ao lado de Jesus quando disse: “Pai por que me abandonastes?”

Aproximemo-nos confiantes diante de Cristo Crucificado, seu trono de graça, pois não há outro caminho pelo qual podemos ser salvos. Heb 4, 14-16

O exemplo de Jesus Cristo – Heb 12, 1-4.

JESUS E SUA MÃE – A proclamação da maternidade espiritual de Maria, a nova Eva, sobre os fiéis, representados pelo discípulo amado.

Na nossa vocação Maria é a nossa mãe que intercede por nós junto ao seu Filho para que vivamos nossos momentos de flagelo, dor, tristeza, solidão, angústia.

É o nosso modelo para vivermos o escondimento na fé.

A consagração é um ato de amor do Pai que nos faz participantes de sua glória por, com  e em Jesus Cristo: “Anunciarei o teu nome a meus irmãos; em plena assembléia eu te louvarei; e mais: Porei nele a minha confiança; e ainda: Eis-me aqui com os filhos que Deus me deu.” Heb 2,12




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