Em 1992, um grupo de pessoas reunidas no Congresso Nacional da Renovação Carismática Católica sentiu um apelo de Deus a se unir em Comunidade, para melhor servir a Ele e aos mais necessitados. Eis que surge uma semente de vida comunitária carismática na Arquidiocese de Vitória.
Reuníamos aos domingos para a ceia Eucarística e em seguida fazíamos nossa reunião de oração e partilha, crescendo o compromisso de família que se reúne em torno da mesa, em nosso caso, a mesa do altar. Reuníamos também diariamente pela manhã para a Oração da Manhã com a Liturgia das Horas, também chamada “Laudes” . Um momento forte de edificação das pilastras da comunidade que se uniu para louvar com a oração da Igreja. Também fazíamos as refeições uma vez por semana na casa de cada um da comunidade.
O senso de família foi aumentando e enquanto Deus ajuntava outros, o modelo da família de Nazaré foi ficando cada vez mais forte, transformando nossos conceitos e valores.
A vocação despertava-se em nossa alma.
A Comunidade Católica Epifania nasceu em 1994 após Deus ter unido os seus seis fundadores. Isto Ele foi fazendo aos poucos, intervindo na história de vida de cada um de forma que um dia pudéssemos nos encontrar com o mesmo sonho que passamos a descobrir não ser nosso mas de Deus. Uns já se conheciam e sonhavam com comunidade outros nem sabiam o que era vida comunitária. Olhando para trás vamos vendo essa ação de Deus na vida de cada um, seja purificando as idéias e projetos anteriores, seja dando descobertas novas, mexendo e remexendo na vida de cada um individualmente para que um dia pudéssemos estar juntos com o mesmo objetivo.
Esse dia aconteceu em 29 de abril de 1994 quando fomos conversar com D. Silvestre a respeito daquilo que Deus estava fazendo conosco. A nossa compreensão da vontade de Deus era muitíssimo diferente do que Ele queria. Não passou pela nossa cabeça o que é hoje a Comunidade Epifania.
Nisto começamos acertando por força do Espírito Santo: falar com o bispo sobre a experiência de Deus na nossa vida e por mais extravagante que tenha sido a nossa colocação D. Silvestre com a sabedoria e o discernimento de bispo percebeu um carisma ali presente e não somente nos confirmou como também profetizou: “Deus geralmente é lento em sua ação mas quando Ele quer vai a galope.”
A Comunidade então nasceu de pessoas comuns onde cada um tem seu testemunho de como chegou até este encontro de comunhão. E foi pura obra do Espírito Santo que aproveitou as brechas das motivações pessoais e foi atraindo para a vontade de Deus: eram motivações de trabalho comum, filhos, casamento, “coincidências” nos fatos da vida, tudo Ele aproveitou para atrair, unir e fazer com que se superassem as grandes diferenças entre nós.
Certamente pensamos quanto trabalho demos a Deus de nos recolher de diferentes lugares e desde pequeno acredito que Deus ia diminuindo as distâncias, aproveitando os encontros e desencontros para que pudéssemos ir nos aproximando uns dos outros. Assim também Ele faz com os novos que chegam e com todos os que tem essa vocação. Ele vai atraindo, promovendo encontros, aproveitando nossos desvios para que um dia aqueles que tem essa vocação possam vivê-la. É bonito ver reconhecer essa ação de Deus em nossa vida.
“Deus chamou a mim e a você e a nós juntou outros mais...”
Ao longo desses anos muitas coisas aconteceram: tateamos, iniciamos trabalho que não eram aquilo que Deus queria, muitas pessoas entraram e saíram, passamos por calúnias, sofremos investidas do mal que por pura graça de Deus não acabamos, necessidades financeiras, roubos, mudamos de lugares...
Temos muitos testemunhos da providência divina no nosso meio como também de apertos que passamos, dor, sofrimentos e lágrimas. Mas como S. Paulo podemos dizer que “em tudo isso somos mais que vencedores graças Aquele que nos uniu.”
Com a obra crescendo, compreendia-mos que Deus estava pedindo um compromisso maior com Ele. E foi deste compromisso maior com Deus e com a sua Igreja, que começamos a traçar as nossas regras e nosso carisma, bem como a nossa estruturação interna e externa. Deus nos chamou a uma vida comunitária, não somente para realizarmos coisas para Ele, mas para sermos diante de sua presença. Nós amamos a vocação que ele nos deu, a vocação de sermos “Epifania”.
Daí a comunidade começou a crescer em número e em obras. O ministério de gravação aumentava a cada dia, e começamos a trabalhar também com vídeo. Fomos convidados a gravar todo o Congresso Eucarístico Nacional realizado em Julho de 1996, aqui em Vitória-ES. E por fim por inspiração de Deus e desejo do nosso Arcebispo D. Silvestre, começamos um trabalho evangelizador com as famílias portadoras do vírus HIV / Aids e suas crianças, através do Hospital Infantil.
A casa começou a ficar pequena demais... E o Senhor nos impulsionava a comprar uma Casa para acolher estas crianças portadoras do vírus da Aids, pois elas precisam de muito carinho, uma boa alimentação e remédios, além do mais importante: Se sentirem amadas filhas de Deus.
Mas como alugar uma casa para acolher estas crianças se a discriminação e o preconceito são grandes ?
Então vamos comprar uma ! Mas com que dinheiro se nem conseguíamos pagar o aluguel em dia ?
Hoje possuímos uma Casa no centro de Vitória e um terreno em Ponta da Fruta com mais duas casas construídas em parceria com a iniciativa privada e igrejas, para acolher estas crianças e é mantida através de doações de sócios colaboradores.
Com isto o sermos comunidade passou a transbordar e começamos a descobrir ainda mais nossa vocação de ser “Epifania” no mundo. Família que vive a alegria do trabalho conjunto na carpintaria de Nazaré, que reflete e estuda a “Torá” - Lei de Deus, que aprende no silêncio e na obediência à fazer a vontade do Pai. Deus não nos chamou apenas para ter este nome, mas para viver intensamente o que a sua família experimentou, e transbordar esta vocação para o mundo e fazer aumentar a sua família.
Com todas essas coisas Deus ia nos confirmando através da Igreja. O apoio dos bispos foram importantíssimos para nós. É D. Silvestre quem tem realizado as consagrações no nosso meio e isto mais do que confirmação é reconhecimento!