A ORAçãO SACERDOTAL DE JESUS (JO 17)
A oração de Jesus, antes de sua paixão, é o seu testamento; muito podemos conhecer do coração do divino Salvador se mergulharmos em sua oração. Inicialmente Jesus ora ao Pai por sua glorificação (1-5); depois preocupa-se com o futuro dos discípulos e de seus seguidores, pedindo ao Pai que os guarde e santifique (6-19); conserve unidos e glorifique os que crêem nele (20-26).
v.1 – o gesto de Jesus olhando para o céu revela que todo o seu ser se concentra no Pai; o desejo do seu coração o atrai para o Pai.
A glória do Filho é a intervenção definitiva de Seus na história. O Filho, por sua vez, glorifica o Pai através da obediência perfeita, por amor, na humilhação da Cruz.
v.2 – A glorificação de Jesus trouxe a redenção, a salvação, a todos os seres humanos. Glorificado, Ele nos dá a vida eterna, não por nossos méritos, mas como Dom gratuito de Deus.
v. 3 – A vida eterna se realiza na experiência e correspondência do amor do Pai obtido pelo conhecimento de Jesus Cristo.
v. 4 – a obra de Jesus: a vontade do Pai (cf. 4,34; 5,30; 6,38; 8,29; 9,4; 10,37-38; 13,1; 19,30).
v. 5 – a glória que o Filho possuía em sua existência eterna junto do Pai (cf. 1,1), e a glória que o Pai lhe predestinava desde o princípio. Glória esta manifestada na Encarnação do Filho e consumada em sua ressurreição.
v. 6 – Jesus manifestou a realidade do Pai pelo que Ele disse, pelo que Ele fez e por quem Ele é. Para conhecer a salvação é preciso abertura de coração para a verdade (Palavra de Deus).
v. 7-8 – a fé em Jesus nos dá a experiência da comunhão trinitária.
v. 9 – o termo “mundo” designa aqui os homens que, fechados em sua presunção, rejeitam a Deus; a oração de Jesus e por aqueles que foram tomados do mundo para formar a comunidade dos discípulos.
v. 10 – a glória verdadeira é a manifestação não do poder, mas da comunhão de amor do Pai com o Filho da qual os discípulos participam.
v. 11 – a santidade do Pai e de Jesus é o fundamento da santidade dos discípulos.
· Acolhendo O envidado do Pai, os discípulos entram na mesma comunhão de amor, a tal ponto que, doravante, nenhuma força deste mundo pode separá-los de Deus.
· A unidade no amor mútuo é a conseqüência da experiência da comunhão que une o Pai com o Filho.
v. 12 – além da proteção dada aos discípulos por ocasião da Paixão (cf. 18, 8-9), Jesus os protege nas provações finais (escatológicas) que ameaçam prender os pecadores num estado de impiedade.
“Filho da perdição”: não só Judas, mas todo aquele cujo comportamento tende de fato para a perdição (rebeldia a Deus). Pecado contra o Espírito Santo.
Cumprimento da Escritura: Sl 40,10.
v. 13 – a profunda alegria que nasce da escuta da Palavra de Jesus (cf. Lc 24,32), continua presente na comunidade dos fiéis pelo Dom do Espírito Santo fonte de alegria.
v. 14 – a missão da comunidade dos discípulos é ser, no meio da humanidade, a manifestação do mundo futuro. Essa missão supõe, necessariamente, o enfrentamento com o poder do mal, que só será vencido com a ajuda do Pai.
v. 15-16 – o príncipe deste mundo que ameaça os homens. Pelo batismo (consagração) pertencentes a Cristo, identificados com ele.
v. 17 – Consagrar ou santificar uma pessoa é separá-la do domínio do mundo para introduzi-la integralmente e para sempre no domínio de Deus.
· Consagração batismal ( CIC 1269)
· Consagração na comunidade (um carisma)
A consagração (santidade) é obra do Pai Santo. O instrumento de santificação é a adesão pela fé e obediência a Jesus Cristo.
v. 18 – a consagração torna os discípulos capazes da missão, porque ela separa, sem isolar, os que são enviados para anunciar o Evangelho ao mundo, na força do Espírito Santo.
V. 19 – Jesus se consagrou na Cruz, oferecendo livremente a vida para a consagração dos seus discípulos. A consagração compromete a totalidade do ser e do agir da pessoa, inclusive a doação da vida. A santificação dos discípulos tem como fundamento o sacrifício da cruz e o Dom do Espírito por Cristo glorioso, que nos purifica do pecado e nos impulsiona para a missão.
v. 20 – Jesus ora pela Igreja.
v. 21 – Aderindo a Jesus, os crentes participam na comunhão de amor que une o Pai e o Filho; unidos entre si no mesmo amor, os cristãos são o sinal da presença de Deus e da autenticidade da missão de Jesus.
v. 22-23 – a glória de Cristo é sua comunhão de amor com o Pai. Quem o recebe é associado à sua glória e se torna, por sua vez, manifestação da glória de Cristo, que se concretiza no amor fraterno.
v. 24 – o discípulo compartilha a condição do Senhor, a sua obediência na humilhação e sua exaltação na glória. A contemplação da glória de Cristo é também o conhecimento do amor que une o Pai e o Filho.
v. 25 – Pai justo: retidão e integridade do seu julgamento; fidelidade e misericórdia.
v. 26 – Gl 2,20 – A presença de Cristo no mundo se realiza na vida do consagrado.