Conhecer Jesus, ser tocado por Ele, não pode nos deixar inertes. Ele nos faz perguntas que provocam mudanças em nossas vidas. Nos Evangelhos, Jesus encontra com algumas pessoas e suas perguntas provocaram reflexões e mudanças:
Pessoais:
Jo 1, 37 – “Que procurais?” – aos dois discípulos de João.
Luc 24, 17 – “De que estais falando pelo caminho, e porque estais tristes?” – Discípulos de Emaús.
Sociais:
Mc 6, 38 – “Quantos pães tendes?” - Na 1ª multiplicação dos pães.
Mc 6, 5 – “Quantos pães tendes?” – Na 2ª multiplicação dos pães.
Engajamento e resposta
Luc 9, 18b “ Quem sou eu no dizer das multidões?”
Fundo do coração
Jo 21 – “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?” (três vezes)
A respeito desta palavra o Papa João Paulo II nos diz: “ esta palavra mais é a minha angústia e alegria. Angústia porque eu não tenho nenhum instrumento para medir se amo mais ou não e alegria porque nada do que acontece no coração humano deixa de ressoar em mim.”
Luc 22, 48 – “ Judas, com um beijo entregas o filho do homem?” –
Jesus provoca uma decisão de vida: positiva ou negativa, amor sem limite ou traição. Devemos estar sempre atentos às provocações de Deus.
Muitas vezes ficamos decepcionados com líderes ou pessoas que largam tudo, fundam outras igrejas ... não podemos esquecer das palavras de Jesus: “Quem está de pé cuide para não cair.” Não existe caderneta de poupança, não acumulamos pontos para gastar mais tarde, Jesus quer a nossa resposta, o nosso sim a cada minuto, é o agora que importa.
Para viver o Postulantado na Comunidade, precisamos ser radicais.
Mc 14, 3-9 – “Ela quebrou o frasco e derramou o perfume na sua cabeça” Assim como aquela mulher a nossa vida deve ser toda para Deus, devemos quebrar o pote, não guardar nada, dar-nos totalmente.
Luc 7,047 – “ Ela muito amou”
Mc 12, 44 – “ Ela depositou tudo o que possuía, tudo o que tinha para viver.”
O nosso exemplo de doação, da radicalidade é Jesus:
Jo 3, 33 – “ O Espírito lhe dá sem medidas.”
Luc 4, 18 – “O Espírito do Senhor me ungiu para a missão “
Luc 23, 46 – “ Pai, entrego meu Espírito”
Jo 7, 38 – “Quem crê em mim .. do seu seio jorrarão rios de água viva.”
È essa a medida de Deus – dar-se totalmente. Ele não tem freios, não tem limites, é radical no seu amor e doação para conosco, e hoje nos convida a sermos também radicais, a quebrar o pote de nossas vidas e ser totalmente Dele.
É o momento de fazermos um revisão de vida e descobrirmos o que estamos retendo, o que não conseguimos entregar para Deus.
- Coloco medidas para Deus? Deixo Ele me guiar até um ponto e a partir daí assumo o controle? Ou deixo-me conduzir totalmente, em todas as circunstâncias?
- Como está o meu amor a Deus e ao próximo?
Jesus nos chama a sermos “inteiros” e “completos” em tudo o que fazemos, todo o exagero , toda a abundância são reflexos de Jesus. Não podemos ter medo de sermos exagerados por que Deus o é.
“Não tenhais medo! Abri, ou antes, escancarai as portas a Cristo!” João Paulo II.
LG 31 / CLF 15 “ Os leigos são chamados por Deus, para que no mundo, exercendo o seu próprio ofício, inspirados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como fermentos, e deste modo manifestem Cristo ao aos outros, antes de mais pelo testemunho da própria vida, pela irradiação de sua fé, esperança e caridade”.
Como se santificar no mundo:
Jesus nos dá a receita: “cumprir fielmente a vontade de Deus.”
São João da Cruz: “ Mesmo que realizes muitas coisas, não progredirás na perfeição, se não aprenderes a negar a tua vontade e sujeitar-te, deixando a preocupação de ti próprio e das tuas coisas.”
Gal 5 – obras da carne e fruto do espírito
Ef 6 – não é contra os homens que lutamos.
Luc 4 – tentação no deserto.
O próprio Jesus explica o sentido de sua luta com Satanás no deserto dizendo: ”Ninguém pode entrar na casa de um homem forte e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo; só então poderá saquear a sua casa.” (Mc 3, 27). No deserto Jesus “amarrou” o adversário; podemos dizer que primeiro acertou as contas com ele, depois pôs-se ao trabalho levando avante a sua campanha em território inimigo, livre de qualquer indecisão ou incerteza quanto às suas finalidades ou os meios que iria empregar.
É que Satanás foi vencido no seu terreno! O terreno privilegiado de Satanás, depois do pecado, era a liberdade do homem; ele tinha feito dela o seu baluarte: um baluarte inexpugnável porque a única coisa que poderia expusá-lo era a vontade do homem, mas pelo pecado tal vontade se tornara escrava de Satanás. (Rom 6, 16 ss; Jo 8, 34) e não podia revoltar-se contra o seu senhor e vencê-lo enquanto fosse escrava dele. Jesus penetrou nesta fortaleza e a destruiu. E os seus três poderosos “não” opostos à tentação, destruíram o aguilhão de Satanás que é a sua revolta contra Deus. Ele caiu realmente “como fulminado” (Lc 10, 18). Aqueles “não” eram efetivamente tantos “sim” amorosos e incondicionais à vontade do Pai.
Prazer X Castidade
Poder X Obediência
Possuir X Pobreza
Jesus se apresenta, neste momento, como o novo Adão que pronuncia finalmente aquele “sim” livre pelo qual Deus tinha criado o céu e a terra. Uma vontade criada dilatou-se até acolher em si toda a vontade de Deus.
Irmãos, já é tempo de acordar do sono! O demônio existe e, mais do que nunca, está “cheio de furor” contra os santos.
Se nos conservarmos firmemente unidos a Jesus nada devemos temer dos eventos e das potências desencadeadas pelo mal: ele está diante de nós como um muro insuperável contra o qual se despedaça todo poder das trevas. A este Jesus, a Igreja inteira, inebriada com o perfume de sua unção, diz com as palavras da esposa do Cântico: “ Arrasta-me contigo, corramos!” (Ct 1, 4)
“ A cada nova ocasião de combate, quando o inimigo me quer provocar, procedo com valor. Como sei que o duelo é uma covardia, não enfrento o adversário, dou-lhe sempre as costas e corro, pressurosa para Jesus, a assegurar-lhe que estou pronta a derramar todo o meu sangue pela afirmação de que há um céu ... É tão doce servir ao bom Deus, na noite e na prova! Só temos esta vida para viver de fé!” – Sta. Terezinha do Menino Jesus.
As nossas armas para viver esta radicalidade que o Senhor nos chama:
· Oração
· Palavra de Deus
· Sacramentos
· Vida Comunitária
Os discípulos pediram para Jesus ensiná-los a rezar como Ele rezava. A oração de Jesus é a sua vida. É pela oração que expressamos o amor, e o amor que não é dito, que não é manifestado é morto.