Endireitai os vossos caminhos – 1Pe 4
Jesus se encarnou, viveu como homem no meio de nós, teve as mesmas necessidades e sentimentos que nós temos: fome, sede, frio, calor, cansaço, amor, alegria, tristeza, raiva, decepção, sofrimento ... Viveu sua vida na carne – como nós – menos no pecado. (Heb 4, 15)
“Imagem do deus invisível, Jesus é o homem perfeito, que restitui aos filhos de Adão a semelhança divina, deformada desde o primeiro pecado. Já que, nele, a natureza humana foi assumida, e não destruída, por isso mesmo, também em nós ela foi elevada a sublime dignidade. Porque, pela sua encarnação, ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado.” Gaudium Et Spes n.º 22.
Jesus sofreu na carne e venceu o pecado (IPe 4,1) e em Jesus podemos vencer as concupiscências da carne. Ele mostra o caminho e nos dá forças para segui-lo.
Devemos reconhecer que somos pecadores: “ Se dissermos: “Não temos pecado” enganamos a nós mesmos...” (IJo 1,8) mas não podemos nos acomodar com esta verdade e achar que não podemos derrotá-lo, porque Jesus veio ao mundo e venceu o pecado por nós, para que possamos viver pela vontade de Deus.
Jesus nos chama hoje a ‘romper com o pecado’, dizer não a toda idolatria, devassidão, orgias, embriagues, vícios ... Hoje é o dia para assumirmos que não podemos viver em 02 (dois) mundos; servir a dois senhores. Temos que assumir que somos de Jesus e viver com esta verdade. Não podemos ser “mornos”, Jesus nos quer quentes; temos que assumir que Deus nos chama a ser diferentes do que éramos antes. “Viver pelo Espírito” – este é o nosso desafio. É aceitar o martírio “em nome de Jesus”, aceitar ser injuriado, taxado, sofrer preconceitos por parte daqueles que muitas vezes eram até “amigos”, e que não aceitam a mudança de comportamento, que ficam incomodados pelo nosso testemunho de vida.
Jesus venceu o pecado e nos deu o Seu Espírito Santo para que vivamos por Ele. E a nossa vida pelo Espírito é em todos os lugares: em casa, no trabalho, no lazer, na comunidade ... E é somente pela oração que vamos conseguir trilhar este caminho. É a oração que nos fortalece e nos capacita a viver como cristãos.
Ser cristão é ser um novo Cristo e testemunhar com a vida aquilo que Ele nos ensinou; e o seu mandamento maior é o amor: Amor a Deus e aos irmãos.
Como conceito teológico, o amor se apresenta qual sentimento recíproco entre Iahweh e Israel. O amor de Iahweh é o laço por meio do qual Ele nos atrai para si. E é este amor que deve existir entre nós, cristãos, e de um modo muito especial entre nós, membros da Comunidade Epifania. O amor tem que ser a forma de nos atrair, de atrairmos os irmãos. O amor verdadeiro, sincero, sem preconceitos ou cobranças.
Comunidade é lugar de vivência do amor, aceitar o irmão como ele é e amá-lo. Ter sempre em mente que “Eu não posso mudar o meu irmão, só posso mudar a mim mesmo.”
E este amor, tem que nos levar a atitudes concretas, e uma atitude concreta de amor é o serviço: colocar-se a serviço do outro, da comunidade. Deus capacita a cada um de nós, Ele nos dá dons, que devemos partilhar uns com os outros. Dessa forma um completa o outro, um preenche a necessidade do outro, socorre e ampara. Viver em comunidade é estar sempre pronto para morrer para si mesmo para dar vida ao irmão. È colocar-se a serviço na missão, na obediência a Deus que se manifesta na hierarquia da comunidade.
Que toda a nossa vida: falar, agir, pensar, trabalhar, amar, ... seja sempre motivada por um único sentido: Amar a Deus. É por amor a Deus que eu vivo.
E o viver em Cristo e para Cristo é o caminho que nos dá a verdadeira felicidade – pois só assim chegaremos à glória da ressurreição, à Vida Eterna. Mas é também o caminho que passa pela Cruz, pelo sofrimento, pelo martírio. É o normal. Anormal é não sofrer.
Não podemos viver como cristãos, fugindo do sofrimento. É nele que vamos testemunhar que somos de Cristo, porque passamos por ele sabendo que teremos a ressurreição. Não podemos nos desesperar, mas assumimos e carregamos a Cruz, com Jesus.
“O tempo presente é, segundo o Senhor, o tempo do Espírito e do testemunho, mas é também um tempo ainda marcado pela “tristeza” e pela provação do mal, que não poupa a Igreja e inaugura os combates dos últimos dias. É um tempo de expectativa e de vigília. CIC 672