Introdução:
A Santíssima Trindade, vivendo em plena comunhão de amor, desejou partilhar esse amor, partilhar sua felicidade. Partilhar com alguém que fosse capaz de dar uma resposta, de corresponder a esse amor. Alguém que fosse sua imagem e semelhança.
Gen 1, 26-27
Esta é a nossa vocação primeira:
Chamados à vida: para partilharmos a felicidade Trinitária;
Chamados ao Amor: porque Deus é amor;
Chamados à Santidade: porque Deus é Santo, Santo, Santo.
Antes de descobrirmos qual a nossa vocação quanto a estado de vida ou qual a nossa vocação enquanto forma de caminhar na Igreja, precisamos descobrir que primeiramente somos chamados à vida, ao amor e à santidade. Para poder viver plenamente em Comunidade, é preciso primeiramente existir, ser capaz de ficar de pé, ser capaz de amar.
Vocação à Vida
Deus nos chamou à vida, deu-nos a vida. Não uma vida qualquer como um vegetal ou mineral, nos chamou a sermos Pessoa; mais do que isto, nos chamou a sermos filhos.
Nossa identidade é ser filho / filha de Deus. Assumir nossa identidade como filho / filha de Deus é assumir a Encarnação do Filho. Jesus se encarnou para que fôssemos filhos. Pertencemos a Deus e somos filhos de Deus colocados no mundo. Como filhos de Deus somos bem-vindos à Vida.
Nosso maior medo é não sermos acolhidos, sermos aceitos. Esse medo está relacionado ao medo no momento do nascimento, o medo de não sermos desejados nesta vida. O medo da morte e de não sermos bem recebidos na vida após a morte. O medo firmemente encravado que teria sido melhor não ter nascido.
Só teremos vida em abundância se assumirmos nossa identidade de filhos / filhas, firmados na Palavra e Deus:
Sl 139, 13-16
Is 49, 1
Vocação ao Amor
Todos nós temos uma vocação específica, particular que é viver plenamente o amor. Como filhos de Deus, imagem e semelhança Dele, somos chamados a viver como Ele, e Ele é amor:
I Jo 4, 8
Onde nós estivermos, o que quer que estejamos fazendo, e qualquer que seja o nosso estado de vida, qualquer que seja o apostolado ou ministério, somos chamados a ser e a viver o amor.
Esse é o segredo de todos os santos ao longo da história da Igreja. O amor é a base da Igreja. Amor revelado na vida de um santo elevado a honra do altar, e também na vida do mais humilde cristão em sua vida escondida em Deus.
“ A caridade deu-me o eixo de minha vocação,. Compreendi que a Igreja tem um corpo formado por vários membros e a esse corpo não falta o membro útil e nem o mais nobre. Entendi que a Igreja tem um coração, e esse coração está inflamado de amor. Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por único amor, de forma que se esse amor acaba, os apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o seu sangue. Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações. Oh! Jesus, meu amor, encontrei afinal a minha vocação, minha vocação é o amor. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor, e o meu desejo se realizará.” Santa Terezinha.
CIC 27
Criados à imagem e semelhança do Amor perfeito, transbordantes de amor, devemos ser sinais de amor para os outros. Pois o amor só se torna concreto, real, se comunico aos irmãos.
Como fazer crescer em nós o amor ?
Rm 5, 5
Nos Sacramentos, na vida Comunitária, mas especialmente na oração.
O encontro com Deus, com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, aquele encontro de amor, que cura, liberta e nos faz aprofundar na verdade de quem realmente somos, de nossa fraqueza e da beleza de nosso ser profundo, acontece na oração pessoal.
Para vivermos plenamente a vocação ao amor é necessário termos vida de oração. Na oração encontramos o sentido da Vida.
Vocação à Santidade
Só nos é possível viver plenamente a nossa vocação ao amor se vivermos uma vida de santidade, e a vocação à santidade é inseparável da vocação ao amor.
I Ped 1, 14-16
Vocação ao Matrimônio, ao Celibato pelo Reino, Vocação religiosa, sacerdotal, só é Vocação verdadeira se vivida no amor e na santidade. Pois há uma integração entre o corpo e a alma e somos chamados a ser santos com todo o nosso ser:
Mc 12, 29-31
CIC 405
Deus não olha as nossas fraquezas, mas o que existe no mais profundo do nosso ser: o desejo de estarmos em comunhão com Ele. O desejo de nos deixar amar por Ele, o desejo de, a partir de agora, viver o amor e a santidade para assim, vivermos plenamente a vocação a qual fomos chamados.