Novo Milênio Ineunte 23 a 28
Toda a vida de Jesus é a revelação do Pai: suas palavras e seus atos, seus silêncios e seus sofrimentos, sua maneira de ser e de falar: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9); e o Pai diz: “Este é o meu Filho, o Eleito, ouvi-o” (Lc 9,35).
JESUS, O NOME: (Lc 1, 30-31)
O nome Jesus em hebraico significa “Deus Salva”, e Cristo “o ungido”, revelando sua identidade e missão.
Gl 4, 4 – “Mas ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher”.
Jo 1, 14 – “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.”
O nome do Deus Salvador era invocado uma só vez por ano pelo sumo sacerdote para a expiação dos pecados de Israel, depois de ele aspergir o propiciatório do Santo dos Santos com o sangue do sacrifício. Em Rm 3, 25, São Paulo afirma que “Deus o expôs como instrumento de propiciação, por seu próprio Sangue”. Isto quer dizer que era “Deus que em Cristo reconciliava consigo o mundo” (2Cor 5, 19).
O ROSTO DO FILHO ENCARNADO
O nascimento de Jesus não é uma simples manifestação de Deus, como se fosse uma continuidade das manifestações de Deus no Antigo Testamento. É o próprio Deus encarnado se mostrando, se revelando “ao vivo”.
Deus visitou o seu povo (Lc 1, 68), cumpriu as promessas feitas a Abraão (Lc1, 55) e à sua descendência. Enviou seu “Filho Bem Amado” (Mc 1, 1).
O Verbo e a carne, a glória divina e sua tenda no meio dos homens !! As duas naturezas: divina e humana, sem qualquer confusão, mas também, sem possível separação.
JESUS: nascido Judeu de uma filha de Israel, Maria:
§ Na cidade de Belém;
§ No tempo do rei Herodes e do imperador César Augusto;
§ Carpinteiro de profissão;
§ Morto e crucificado em Jerusalém, sob o procurador Pôncio Pilatos;
§ É o Filho eterno de Deus feito homem;
§ Veio de Deus (Jo 3, 13);
§ Desceu do céu (Jo 6, 33);
§ Veio na carne (I Jo 4, 2).
Diante do Verbo Encarnado, temos que ter a mesma atitude dos magos (representantes das religiões pagãs, indicando as primeiras nações que acolhem a Boa Nova da salvação pela Encarnação), que foram a Belém adorar o menino oferecendo-lhe ouro (Jesus – o Rei do Universo), incenso (Jesus Cristo – a oferta) e mirra (Jesus – o Ungido).
Jesus tinha consciência de ser o Filho de Deus:
§ Aos 12 anos (Lc 2, 49);
§ “Ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho” (Mat 11, 27);
§ “O Pai está em mim como eu estou no Pai” (Jo 10, 38);
§ Os judeus procuravam matá-lo não somente por violar o sábado, mas por chamar Deus de Pai (Jo 5, 17-18).
Apesar de que houve momentos em que essa consciência passou por noites escuras, de ausência do rosto do Pai: (Mc 15, 34 e Sl 22).
SÓ JESUS CONHECE O ROSTO DO PAI EM SUA PLENITUDE DE AMOR, MISERICÓRDIA E SANTIDADE, QUE SABE QUÃO GRANDE É O PECADO QUE É RENEGAR ESSE AMOR.
O ROSTO DOLOROSO – CRISTO
2 Cor 5, 21: “Aquele que não havia conhecido pecado, Deus O fez pecado por nós para que nos tornássemos nEle justiça de Deus.”
Contemplar o rosto de Cristo, o Servo Sofredor, traz a nós o aspecto mais contraditório do mistério da Salvação e da Misericórdia Divina: a Cruz – Mistério no mistério. Diante deste mistério, também nós, só podemos nos prostrar em adoração.
Pelo desobediência do homem, o pecado entrou no homem (o homem quis ser igual a Deus, independente de Deus, não quis ser apenas conhecedor do bem e do mal, mas ele mesmo determinar o que seria bem e mal para si mesmo). Pela obediência de um só homem a comunhão foi restabelecida.
O sacrifício de Cristo é único, ele realiza e supera todos os sacrifícios. Ele é primeiro um dom do próprio Deus Pai e ao mesmo tempo oferenda do Filho de Deus feito homem que se entregou livremente e por amor, oferece sua vida a seu Pai, pelo Espírito Santo, para repara a nossa desobediência.
TODA A VIDA DE CRISTO É OFERENDA AO PAI:
Jo 6, 38 – “Eu desci do céu para fazer, não a minha vontade, mas a vontade dAquele que me enviou.”
Heb 5, 7 – “Eu vim, ó Pai, para fazer a Tua vontade.”
Jo 4, 34 – “Meu alimento é fazer a vontade de meu Pai”.
Jo 10, 17 – “O Pai me ama porque dou a minha vida”.
Jo 1, 29 – “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
Mc 13, 36 – “Pai, se for possível afasta de mim este cálice, mas que se faça a tua vontade.”
O sofrimento é um mistério que vemos no rosto de Cristo em sua agonia no Horto das Oliveiras, no grito de dor aparentemente desesperado na Cruz: ”Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”. Este grito não traduz um grito desesperado, mas a oração do Filho que, por amor, oferece a sua vida ao Pai pela salvação de todos. Precisamente pelo conhecimento e experiência que Ele tem de Deus é que seus olhos, neste momento de obscuridade, permanecem fixos no Pai.
O sofrimento, a dor, “as noites escuras”, as provações, fazem parte da condição humana (Mt 16, 24) “Aquele que quer me seguir tome a sua cruz e siga-me”, pois sofreu por nós e nos deixou um exemplo a fim de que sigamos os seus passos. (IPed 2, 21)
Santa Rosa de Lima: “Fora da Cruz não existe outra escada para subir ao céu.”
Como contemplar o rosto de Cristo Sofredor hoje?
Vê-lo presente no irmão que está sofrendo ao nosso lado, especialmente nos mais pobres (Mt 25). Não podemos ficar indiferentes, temos que ir ao encontro da humanidade sofrida.
Nosso chamado é abraçar a nossa Cruz a cada dia e carregá-la, não arrastá-la.
O ROSTO DO RESSUSCITADO
A contemplação do rosto de Cristo não deve deter-se na imagem do Crucificado, senão seria vã a nossa fé (ICor 15, 14). Ele é o RESSUSCITADO. A Ressurreição foi a resposta do Pai à sua obediência. (Heb 5, 7-9)
É para Cristo Ressuscitado que a Igreja olha. Olha seguindo os passos de Pedro, que chorou por tê-lo negado mas retomou o seu caminho confessando o seu amor a Cristo; seguindo Paulo, que ficou fascinado por Ele depois de O ter encontrado no caminho de Damasco, e disse “Para mim viver é Cristo e morrer é lucro” (Fil 1, 21). Assim também cada um de nós somos chamados.
SEGUIMENTO:
Esvaziar-se de si mesmo, para deixar Jesus ser o Senhor de todo o seu ser (Kenosis) – Fil 2, 4-11.
O cristianismo é graça e a grande surpresa de Deus para o homem:
“Hoje nasceu para vós um menino”; Lc 2, 11
Hoje se cumpriu as escrituras”; Lc 4, 21
Hoje, estarás comigo no Paraíso”. Lc 23, 43
COMUNIDADE: JESUS É O MEU IDEAL. JESUS É A MINHA MEDIDA!
Jesus é a medida de cada pessoa humana, que só pode se realizar em Cristo com seus critérios. A realização da pessoa só acontece na doação de si.
Ter a coragem de pedir e dar perdão faz fluir um novo relacionamento onde o amor fecunda os corações.
Nos santos resplandece o rosto de Cristo e o rosto da Igreja.
Em mim resplandece o rosto de Cristo ?
Os homens de hoje não querem que falemos de Cristo, mas que nos façamos nele – Jo 15, 26. Em Cristo é que nós nos confrontamos com as perguntas e as respostas para nossa vida.
O mistério de Deus e da nossa existência se manifesta em Cristo.
Ler a Bíblia e deixar-se interrogar por ela no mais profundo da nossa vida de seres humanos. É uma leitura das interrogações que nos educam para a fé, esperança e o amor fundamental.
São Jerônimo: ” Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo.”
Depois da Ascensão ao céu, Jesus caminha com nossas pernas.
O que devemos fazer? A pergunta que a multidão fez a Pedro em Pentecostes, ainda ressoa para nós.
Não se trata de uma fórmula ou método a ser seguido por uma pessoa. É um programa que não muda. Trata-se de seguir Jesus porque o conhece e sabe a quem está seguindo.