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PEQUENA HISTÓRIA DA VIDA CONSAGRADA

VOCAçãO: Uma resposta humana a um chamado divino na Igreja para o mundo.

Para falarmos sobre as Novas Comunidades é necessário fazermos uma caminhada sobre a história da vida consagrada, pois as NC que nós vamos falar durante o Período do Aspirantado, se trata de uma forma de “vida consagrada”.

O Papa João Paulo II relata abaixo esta importância em sua carta de convocação do sínodo sobre a Vida Consagrada.

"A vida consagrada, profundamente arraigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus Pai à sua Igreja, por meio do Espirito. Através da profissão dos conselhos evangélicos, os traços característicos de Jesus - casto, pobre e obediente - adquirem uma típica e permanente "visibilidade" no meio do mundo, e o olhar dos fiéis é atraído para aquele mistério do Reino de Deus que já atua na história, mas aguarda a sua plena realização nos céus.

Ao longo dos séculos, nunca faltaram homens e mulheres que, dóceis ao apelo do Pai e à moção do Espírito, escolheram este caminho de especial seguimento de Cristo, para se dedicarem a ele de coração "indiviso". Também eles deixaram tudo, como os Apóstolos, para estar com Cristo e colocar-se, com ele, a serviço de Deus e dos irmãos. Contribuíram assim para manifestar o mistério e a missão da Igreja, graças aos múltiplos carismas de vida espiritual e apostólica que o Espírito Santo lhes distribuía, e deste modo concorreram também para renovar a sociedade.

O papel da vida consagrada na Igreja é tão notável que decidi convocar um Sínodo para aprofundar o seu significado e as perspectivas em ordem ao novo milênio, já iminente.

Cientes, como estamos todos, da riqueza que constitui, para a comunidade eclesial, o dom da vida consagrada na variedade dos seus carismas e das instituições, juntos damos graças a Deus pelas Ordens e Institutos religiosos dedicados à contemplação ou às obras de apostolado, pelas Sociedades de Vida Apostólica, pelas Institutos Seculares, e pelos outros grupos de consagrados nas novas formas de vida comunitária e evangélica, como também por todos aqueles que, o segredo do seu coração, se dedicam a Deus por uma especial consagração.

No Sínodo, pôde-se constatar a expansão universal da vida consagrada, tornando-se presente nas Igrejas de toda a terra. Ela estimula e acompanha o avanço da evangelização nas diversas regiões do mundo, onde não apenas são acolhidos com gratidão os Institutos vindos de fora, mas constituem-se também novos e com grande variedade de formas e expressões.

E se os Institutos de vida consagrada, em algumas regiões da terra, parecem atravessar momentos de dificuldade, em outros prosperam com vigor surpreendente, demonstrando que a opção de total doação a Deus em Cristo não é de forma alguma incompatível com a cultura e a história de cada povo. E não prospera só dentro da Igreja Católica; na verdade, a vida consagrada acha-se particularmente viva no monarquismo das Igrejas ortodoxas, como rasgo essencial da sua fisionomia, e está começando ou ressurgindo nas Igrejas e Comunidades eclesiais nascidas da Reforma, como sinal de uma graça comum dos discípulos de Cristo.

A presença universal da vida consagrada e o caráter evangélico do seu testemunho provam, com toda a evidência - caso isso fosse ainda necessário -, que ela não é uma realidade isolada e marginal, mas diz respeito a toda Igreja. No Sínodo, os Bispos confirmaram por diversas vezes: "é algo que nos diz respeito". Na verdade, a vida consagrada está colocada mesmo no coração da Igreja, como elemento decisivo para a sua missão, visto que exprime a íntima natureza da vocação cristã "e a tensão da Igreja-Esposa para a união com o Esposo. Diversas vezes se afirmou, no Sínodo, que a função de ajuda e apoio exercida pela vida consagrada à Igreja não se restringe aos tempos passados, mas continua sendo um dom precioso e necessário também no presente e para o futuro do Povo de Deus, porque pertence à sua vinda, santidade e missão”.

Como não recordar, cheios de gratidão ao Espírito, a abundância das formas históricas de vida consagrada, por ele suscitadas e continuamente manifestadas no tecido eclesial? Assemelham-se a uma planta com muitos ramos, que assenta as suas raízes no Evangelho e produz frutos abundantes em cada estação da Igreja. Que riqueza extraordinária! Eu mesmo. No final do Sínodo, senti a necessidade de sublinhar este elemento constante na história da Igreja.

O Sínodo recordou esta obra incessante do Espírito Santo, que vai explanando ao longo dos séculos, as riquezas da prática dos conselhos evangélicos através dos múltiplos carismas, e que, também por este caminho, torna o mistério de Cristo perenemente presente na Igreja e no mundo, no tempo e no espaço (JOÃO PAULO II, Vita Consecrata).

"Desde os começos da Igreja houve homens e mulheres que, pela prática dos conselhos evangélicos, propuseram-se a seguir a Cristo com mais liberdade e imitá-lo mais estreitamente e, cada um a seu modo, levaram vida consagrada a Deus. Dentre eles, muitos, pela inspiração do Espírito Santo, viveram vida solitária ou fundaram famílias religiosas que a Igreja recebeu e aprovou de bom grado com sua autoridade. Daí nasceu, por divina providência, uma admirável variedade de grupos religiosos, a qual muito contribuiu para que a Igreja não apenas esteja aparelhada para toda boa obra e organizada para as atividades do seu ministério em vista da edificação do Corpo de Cristo, mas apareça também ornamentada com os vários dons de seus filhos, como uma esposa adornada para o seu esposo e por ela se manifeste a multiforme sabedoria de Deus" (Vaticano II,, PC 1).

 

1- Os primeiros sinais da vida consagrada foram as virgens consagradas, mulheres que se dedicavam ao serviço de Deus. Era pessoal, ligada a pessoa do bispo.

Esta constitui a primeira forma de vida feminina especialmente consagrada. Sua Origem data dos tempos apostólicos, onde inúmeras jovens ofertavam-se inteiramente ao Senhor na consagração voluntária e perpétua de sua virgindade.

Através das virgens consagradas o Espírito de Deus testemunha no interior da Igreja Primitiva, o início de um novo tempo, do tempo do Reino dos Céus. Pelo testemunho daquelas mulheres que se consagravam incondicionalmente a Deus, percebia-se que nascia a partir de Cristo, uma nova mentalidade, a mentalidade do Reino de Deus, o voltar-se para as coisas do alto. Tal mentalidade era diferente daquela do judaísmo, fundada na terra e na posteridade.

As virgens consagradas constituem uma imagem escatológica especial da Esposa celeste e da vida futura, quando finalmente, a Igreja viverá em plenitude o seu amor por Cristo Esposo.

 

2- No primeiro milênio do cristianismo, muitos mártires deram grandes demonstrações de santidade entregando suas vidas para testemunhar a fé em Jesus. Séculos mais tarde, o catolicismo já se tendo espalhado pelo mundo, há um esfriamento do fervor inicial e distanciamento da essência evangélica então surgem inúmeros movimentos de caráter contemplativo, onde se busca o silêncio e a solidão, a meditação da Palavra de Deus, a radicalidade evangélica, a mortificação do corpo e uma vida mais perfeita e santa.

 

3- No século III nasce a primeira forma de vida consagrada masculina: são os eremitas nos desertos, vivam sós, uns voltavam e outros não. Eram vidas separadas que lutavam contra todas as formas de fraqueza humana. Eles iam para o deserto como seguimento a Jesus Cristo, não era uma fuga das realidades temporais, presentes. Era o Espírito Santo que os impulsionava ao deserto, era necessário para romperem com a forma de vida daquele tempo. Eles fundamentaram a fé da Igreja com seus escritos e testemunho.

Um dos maiores eremitas foi Santo Antão = patriarca da vida eremítica.

Alguns historiadores encontram em data anterior a vida eremítica, uma certa forma de vida organizada, formada pelos ascetas cristãos e denominada "monacato urbano".

A vida eremítica teve expressões de grande generosidade: os eremitas retiravam-se para o deserto, viviam na solidão e no silêncio, na oração e na penitência, não deixando de lado o trabalho manual e a direção espiritual, muitas vezes feita através de cartas que são verdadeiros tratados de teologia ascética e mística.

Além de uma autêntica vida de oração e penitência, oferecida em favor de Igreja, os eremitas ou "padres d deserto" contribuíram em muito com a teologia e filosofia, através de Escritos, que ainda hoje enriqueceram a doutrina cristã. A vida eremítica era ainda forte grito profético no interior da Igreja, quando esta, após os tempos de perseguição se unia às forças e poderes do Império.

Santo Antão (251-356 d.C) é considerado o patriarca da vida eremítica". Filho de família rica, ouviu o apelo do Senhor proclamado na igreja através da leitura da Sagrada Escritura, e resolveu deixar tudo, retirando-se para o deserto do Egito. Sua vida, escrita por Santo Atanásio, no século IV, exerceu grande influência sobre as gerações posteriores.

Os homens e mulheres eremitas, testemunham através da separação interior e exterior do mundo o caráter provisório do tempo presente, e pelo jejum e pela penitência atestam que o homem não vive sé de pão, mas da Palavra de Deus. Uma vida Assim "no deserto" é convite aos indivíduos e á própria comunidade eclesial para nunca perderem de vista a vocação suprema, que é estar sempre com o Senhor.

 

4- Monaquismo Organizado ou Cenobetismo

No final do século V e VI foi acontecendo uma passagem da vida eremítica para a vida monástica: dos eremitas aos monges. Assim surge a primeira forma de vida comunitária na Igreja. Podemos citar:

v     São Pacônio, região do Egito, com regras de vida e organização.

v     São Basílio – pai da vida monástica oriental.

v     São Bento, fundador dos Beneditinos, são as regras mais antigas da Igreja Ocidental (final do séc. V em diante). “Ore e Labore”.

 

Inicialmente devemos afirmar que a origem do monacato organizado permanece em discreta penumbra. Segundo a maioria dos historiados eclesiais, o cenobitismo tem como berço o eremitismo. Aos poucos a vida eremítica foi cedendo lugar à vida cenobitica (comunitária). O cenobitismo ou monaquismo organizado apresentava suas vantagens: a vida comunitária, com ocasiões freqüentes de se praticar a caridade; a presença de um superior (abade), que governava e controlava a comunidade, suas atitudes e comportamentos; a Regra, que regulamentava a vida dos monges na oração, no trabalho, no vestuário, na alimentação, no estudo.

A vida e a espiritualidade cenobita era muito semelhante da eremita (oração, ascese, trabalho manual, direção espiritual), porém, alguns fatores faziam a diferença: a vida comunitária, o abade, a regra e a dedicação aos estudos.

Vale destacar que a "comunidade" para os cenobitas não é simples meio de serviço da perfeição evangélica, mas pertence ao projeto mesmo do "seguimento de Cristo".

São Pacômio (346 d.C) foi o primeiro organizador da vida cenobítica (koinonia). O primeiro mosteiro data de 320 e foi fundado por São Pacômio em Tabenisi, a 575 Km ao sul da moderna cidade do Cairo. O oriente foi o berço do monaquismo, que se difundiu pelos lugares retirados do Egito, da Palestina, da Síria....

São Basílico Magno, foi o grande legislador do monaquismo oriental, dando a este uma ampla motivação teológica. Escreveu duas regras cenobícas, que ficaram famosas na história da espiritualidade. Louvava os mosteiros como lugar em que se pode exercer a caridade fraterna mais que no deserto, e como depositários da plenitude dos carismas do Espírito Santo (comunhão de dons).

Martinho de Tours (+397 d.C) é o primeiro monge documentado no Ocidente. Filho de um soldado romano aos quinze anos já seguia à profissão do pai, mas sua verdadeira vocação sobreviveu à sua vida militar. Aos dezoito anos abandonou a milícia, recebeu o batismo e seguiu Santo Hilário de Poitiers, seu mestre. Após um breve noviciado na vida eremítica, fundou alguns moteiros. Discípulos se reuniram em torno dele e, nas cavernas das margens do rio Loira, desenvolveu-se a primeira col6onia monástica da Igreja do Ocidente. Mas em 375 foi eleito bispo de Tours, e tornou-se o grande evangelizador do centro da França Tinha sido como se disse um soldado sem querer, monge por escolha e bispo por dever. Seu mosteiro progrediu tanto que seus monges eram procurados para exercer o cargo de bispos.

São Bento é conhecido como "patriarca do monges ocidentais". Nasceu por volta de 480 em Núrsia (Itália), de nobre família rural romana. Começou em Roma seus estudos de artes literárias, mas não satisfeito com essa vida , logo retirou-se para os montes Sabinos (Subiaco) onde levou vida eremítica por três anos. Foi precisamente neste período que o demônio travou com ele as mais rude batalhas, obrigando-o por vezes a rolar sobre os espinhos para submeter a carne e guardar a santa castidade.

Sua fama começou a espalhar-se. Os monges de um pequeno mosteiro vizinho (Vicovaro) vieram procurá-lo na sua caverna, para que aceitasse dirigi-los, mas logo vieram a rejeitá-lo, exasperados com os esforços que o jovem abade fazia os reconduzir à disciplina. Bento voltou à sua gruta, e muitas almas se reuniram em torno dele. Fez aí uma experiência de vida semi-eremítica. Na plenitude de sua maturidade humana e monástica, perseguido por inveja, Bento viu mais uma vez, por detrás dos fatos, uma indicação da Providência: abandonou Subiaco e foi procurar fora dali um lugar onde sua obra pudesse lançar raízes. Com um grupo de jovens entre os quais Plácido e Mauro, emigrou para Nápoles, escolhendo sua morada no sopé do Monte Cassino, onde edificou seu primeiro mosteiro (berço da ordem beneditina), fechado dos quatro lados, como uma fortaleza e aberto à luz do alto como uma grande vasilha que recebe do céu a benéfica seiva para depois despejá-la no mundo. Até sua morte Bento fundou doze mosteiros. Em monte Cassino escreveu sua regra, valendo-se da tradição monástica oriental e ocidental e adaptando-a às condições de vida de época. A regra beneditina tornou-se famosa na Igreja por sua psicologia e linguagem jurídica segura. O triunfo da regra beneditina se deu em 817 quando todos os mosteiros do Ocidente adotaram a Regra de São Bento como norma única. De fato, até o século XI os monges do ocidente identificavam-se com os monges beneditinos.

É grande e relevante a contribuição do monaquismo, não só na vida da Igreja, mas na história, de modo especial no início do novo mundo (após a queda do Império Romano). Foram em grande parte os monges que evangelizaram os anglo-saxãos e outros povos germânicos (Inglaterra, Bélgica, Holanda, Norte da Alemanha, etc.); ensinaram aos povos bárbaros que vivam nos arredores dos mosteiros, os princípios de cultura; transmitiram às crianças e aos adolescentes os conhecimentos científicos e a formação cristã através das escolas monasteriais, que prepararam o nascimentos das universidades. Foram também eles, os copistas, que salvaram da ruína os tesouros da cultura romana, que através dos seus códigos e obras de arte, passaram para as gerações vindouras. Se quiséssemos sublinhar a parte ativa que os mosteiros tomaram no movimento literário, seria necessário escrever um compêndio de toda a história literária da Idade Média. Quer se trate de teologia, exegese, quer de história, poesia, matemáticas, gramáticas, quer ainda de filologia, a maioria dos pertencentes aos séculos VIII ao XII são recrutados entre os monges.

A história é uma parcela que os monges praticamente se reservam. Basta um lance de olhos aos trabalhos modernos relativos às fontes históricas para convencer-se disso. Em resumo, não seria descabido afirmar que toda a alta Idade Média lhes pertence: seria mais cômodo nomear os autores não monges. A teologia dos quatro primeiros séculos da Idade Média terá meta muito precisa: investigar e assentar solidamente a tradição católica, cujo sentido os monges possuem tão enviscerado. Por isso, esforça-se-ão para tornar mais inteligível a leitura da Escritura e dos principais Padres da Igreja. Este esforço teológico tem o mérito inegável de ter fixado a tradição católica sobre um bloco importante de pontos doutrinais. Um monge, Santo Anselmo, foi quem abriu a porta a novas correntes, inaugurando nova época. Ele é o primeiro filósofo que faz teologia. Foi no claustro de um mosteiro que foi impresso o primeiro livro no mundo (mosteiro de Santa Escolástica, Subiaco, Itália). Foram, ainda, os monges que muitas vezes estiveram à frente das fileiras da Igreja no combate as heresias; que contribuíram fortemente com a liturgia, especialmente através da música sacra (o canto gregoriano tem como pai São Gregório Magno, a quem se deve a mais completa biografia de São Bento. Vale lembrar que antes de ser papa ele foi monge) e que deram à Igreja inúmeros santos.

 

5- Século XIII – Ordens Mendicantes (São Francisco e São Domingos)

Numa época em que a Igreja era quem detinha o poder e a riqueza, cultural (só os monges sabiam ler). Reformadores da Igreja e do mundo com o testemunho.

Quando a Igreja atingiu o ápice do poder temporal, na Idade Média, Deus quis suscitar no início do século XIII as ordens mendicantes. Nasceu no Papa Inocêncio III, o projeto de suscitar uma nova forma de pregação, mais próxima do povo e mais bem preparada na defesa da fé.

Sonhou com homens de muita fé, inspirados no ideal evangélico, desprendido dos bens deste mundo, capazes de dirigir-se aos humildes com as mãos abertas para lhes dizer outra vez palavras de amor e de verdade. E a Providência iria responder a esse apelo, porque no momento em que Inocêncio escrevia a sua bula profética, começavam a surgir no núcleo mais vivo da comunidade cristã aqueles a quem caberia levedar mais uma vez a massa cristã numa encruzilhada decisiva da história: as Ordens mendicantes. O aparecimento destas Ordens foi o acontecimento mais notável da vida íntima da Igreja da época. O imensa êxito que os mendicantes alcançaram prova que eles corresponderam às expectativas do tempo.

As vocações afluiram torrencialmente: Vários métodos de organização dos mendicantes foram imitados pelas antigas ordens, e o exemplo dos mendicantes arrastou para as Universidades, Ordens antigas, como os beneditinos de Cluncy e os cistercienses.

O clero secular tornou-se mais fiel às suas obrigações sacerdotais, e toda a vida, monástica, estimulada pelo surto das Ordes Franciscana e Dominicana, enriqueceu-se na primeira metade do século XIII com uma verdadeira floração de novas congregações.

O ideal de pobreza que abraçaram exerceu enorme influência na sociedade e na Igreja pondo freio ao desenvolvimento desmedido da civilização materialista, e a Igreja do Século XIII foi por eles admoestada a não se preocupar com questões temporais a ponto de esquecer a sua missão divina.

A sua ação teve também resultados no domínio da concórdia especialmente quando no ano 1233 os dominicanos e os franciscanos se espalharam por toda a parte num esforço extraordinário, que foi assinalado por espetaculares reconciliações entre famílias, clãs e até entre cidade. Deste movimento resultaram "associações de paz", confundidas muitas vezes com as duas Ordens terceiras, por meio das quais elas mantinham a sua ação a sociedade.

Desenvolveram grande abertura para os leigos e pessoas casadas, proporcionado-lhes vida regular de oração, penitência e caridade, através das ordens terceiras.

Não foram poucos os confessores e conselheiros dos reis e de suas famílias. Os seus conventos não se situavam nas regiões clunicense nem nos pântanos solitários de Cister, mas nas cidades, e se tornaram centros de vida intelectual, espiritual e até política.

Foi também a eles que a Igreja recorreu quando teve de defender-se contra as heresias. Serão também os Mendicantes que veremos liderar um grande movimento missionário que se lançará entre os infiéis, procurando ganha-los para Cristo pelo amor.

Há ainda um último ponto em que a ação dos Mendicantes se mostrou decisiva: na ordem intelectual. Num momento em que se produzia uma grande fermentação dos espíritos, elas encontravam-se especialmente preparadas para assumir e orientar as curiosidades dos seus contemporâneos. Assim, em última análise, as ordens mendicantes dera à "reforma" do século XIII uma eficaz originalidade. O retorno ao Evangelho, que eles pregavam foi a sua característica em todos os domínios, tanto canônico, como na vida social e mesmo nas formas de devoção. Graças a eles, as indispensáveis transformações não se realizaram fora da Igreja, nem contra ela, as no seu seio.

Praticamente todo os Papas do século XIII manifestavam a maior simpatia pelas ordem mendicantes, que constituíram uma milícia devotada ao Papa, uma organização de propaganda maravilhosamente ativa em difundir o seu pensamento, e um corpo de diplomata para as missões difíceis ou perigosas.

Não foi apenas no plano da reforma moral e nas suas lutas temporais que os Mendicantes ajudaram. Eles foram também os instrumentos de uma nova concepção da Igreja e do seu papel, mais universalista, mais adaptado a uma sociedade ampliada: a igreja das missões.

 

6- Ordens Contra Reformistas: Na época acontecia uma reforma na Igreja, por causa da divisão. Os padres menores ou baixo clero eram ignorantes e não sabiam orientar o povo. Surgem então os jesuítas (muito bem formados), nobres, cultos, ricos e com um voto especial: obediência ao Santo Padre em resposta à desobediência vigente ao papa.

Nos mosteiros havia uma desordem como princesas com escravas, relaxamento no final do séc. XV e XVI. Santa Tereza inicia a reforma do Carmelo com vida mais radical.

 

7- Congregações religiosas (a partir de 1800) em resposta a situação daquele tempo, o iluminismo e a revolução industrial criou uma diversificação mundial, o ES fez nascer uma série de carismas em congregações de acordo com a necessidade local, com uma pluralidade de pessoas de classes social (nobres, ricos e pobres), nasceram carismas com serviços próprios. (Salesianos, Paulinas, Paulus, etc)

Floresceram ao longo dos séculos muitas outras expressões de vida religiosa, nas quais inúmeras pessoas, renunciando ao mundo, se consagraram a Deus, através do profissão pública dos conselhos evangélicos segundo um carisma específico e numa forma estável de vida comum, para um serviço apostólico pluriforme ao Povo de Deus. Temos assim, as Congregações Religiosas masculinas e femininas, e geral, dedicadas à atividade apostólica e missionária e às múltiplas obras que a caridade cristã suscitou.

É um testemunho esplêndido e variado, onde se reflete s multiplicidade dos dons dispensados por Deus aos fundadores e fundadoras que, abertos à ação do Espirito Santo, souberam interpretar os sinais os tempos e responder de forma esclarecida, às exigências que iam aparecendo.

Podemos citar as irmãs da caridade de São Vicente de Paulo (obra de caridade), Irmãos Maristas e Irmãs Dorotéias (educação), Irmãs Paulinas (comunicação), Salesianos (educação da juventude), Mercedários (penitenciárias) Franciscanas Hospitaleiras (doentes), Missionários do Sagrado Coração (missão), etc.

 

8- As Sociedades de Vida Apostólica, onde o mais importante é a missão.

As Sociedades de vida apostólica, masculinas femininas, nascidas nos últimos séculos buscam com seu estilo próprio, um específico fim apostólico e missionário.

Podemos citar: Eudista (formação) e Missionários de Nossa Senhora da África (missão).

 

9 - Os Institutos Seculares, vivem no mundo sem serem perceptíveis, fazem votos, vida comunitária, e regras. O Século atual (Século XX) é testemunho do surgimento de mais uma forma de vida consagrada.

Os institutos de vida secular respondem as necessidades de transformação das estruturas e instituições próprias da sociedade. Através da síntese de secularidade e consagração, que o caracteriza, eles querem infundir na sociedade as energias nova do Reno de Cristo, procurando transfigurar o mundo a partir de dentro com a força das bem-aventuranças. Desta forma, ao mesmo tempo que a pertença total a Deus os torna plenamente consagrados ao seu serviço, a sua atividade nas condições normais de leigos contribui, sob a ação do Espírito, para a animação evangélica das realidades seculares.

Também realizam uma função preciosa os institutos seculares nos quais os sacerdotes do clero diocesano se consagram a Cristo através da prática dos conselhos evangélicos segundo um específico carisma.

Concluímos então que em cada momento de crise, de dificuldade e de transformação, o Espírito tem suscitado no interior da Igreja, com a sua criatividade, a vitalidade fecunda do Evangelho uma infinidade de carismas e novas estruturas a fim de que esta, lendo os sinais dos tempos possa dar uma resposta coerente a todas as urgências, desafios e necessidades da humanidade e as suas próprias, mantendo-se sempre jovem e atuante.  Um novo carisma é uma graça especial para uma fundação, uma resposta de Deus a uma necessidade da Igreja e do mundo, em cada tempo.

 v     O que o Espírito Santo estaria preparando para munir a Igreja para viver o terceiro milênio?

v     Como seria o tipo de vida consagrada para o tempo atual?

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