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Carisma



Nome: COMUNIDADE CATÓLICA EPIFANIA

Palavra de Deus:
“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, glória que Ele tem junto ao Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade”. Jo 1,14.

 

 

Carisma:

 

 

 "Chamados a manifestar a glória de Deus no mundo”.

 

 

 

INTRODUÇÃO:

O nome de uma comunidade, a palavra que Deus deu aos fundadores e a história da comunidade revelam muito do carisma a ser vivido por todos, revelam a vivência espiritual, o jeito de ser da Comunidade.

O nosso nome Epifania quer dizer manifestação do Senhor. São três as fontes de manifestação do Senhor que Deus deu a Comunidade Epifania para beber e assim viver o seu carisma:

1. O nascimento do Senhor – “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós...”.

2. A Transfiguração no Monte Tabor. “E nós vimos a sua glória...”.

3. A ressurreição. “Glória que Ele tem junto do Pai como Filho Único, cheio de graça e de verdade”.



1– O NASCIMENTO DO SENHOR:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós...”.

É Deus que toma a iniciativa e vem ao encontro do homem. É o movimento de Deus para a pessoa humana (Jo 1,12-16). Santo Irineu: “O Filho de Deus tornou-se o que somos para que recebêssemos parte de sua perfeição”.

« É Deus quem me escolhe – graça da eleição, não pelos meus méritos, mas pela gratuidade amorosa de Deus. De minha parte devo ter gratidão a Deus  e cantar com minha vida e consagração o meu “magnificat”: “O Senhor fez em mim maravilhas!”
« O “Fiat” (sim) de Maria – Lc 1,38. Pelo seu sim, Maria muda toda a história humana, a começar pela sua própria história, seus e seus planos e projetos. Meu sim a Deus através da consagração deve ser como o sim de Maria e mudar o rumo  da minha história e colaborar para a mudança da história do mundo.
« O nascimento de Jesus – Ele, que por amor, renuncia ao ser infinito, a sua glória (Jo 1,14), e se transforma na criatura, aceita cumprir o plano de Deus para os homens – é a Kenosis. A meditação do mistério do nascimento do Senhor deve me levar a um esvaziamento da vontade das glórias deste mundo e reconhecer a minha pequenez. É pelo esvaziamento de si mesmo deixando que a vocação Epifania, que é o plano de amor de Deus para cada um de nós, seja gerada, cresça e se solidifique. Acolher o chamado com humildade.
 


CHAMADOS MANIFESTAR A GLÓRIA DE DEUS VIVENDO A PAZ E A ALEGRIA NO MUNDO.

GLÓRIA = resplendor, riqueza, magnificência, honra, plenitude. Dar glória a Deus significa reconhecer sua grandeza, sua santidade. È dever primordial do homem dar glória a Deus.

Como Comunidade Epifania, em nosso carisma Deus fomos escolhidos pela misericórdia de Deus a refletir no mundo a sua presença, seu resplendor, seu poder, sua grandeza, sua santidade sendo ministros da paz e da alegria nos diversos ambiente onde estivermos: em casa, no trabalho, na rua, no trânsito, nos relacionamentos dentro e fora da comunidade.

O mundo busca a alegria. Todos queremos ser felizes, bons e maus. Se amamos a alegria é porque de um modo misterioso a conhecemos, fomos feitos para ela. Este é o lado do coração humano para receber a Boa Nova.

Deus é o Deus da Paz (Rm15,33; 16,20); I Co 14,33 e no- la deu por seu Filho, de quem São Paulo diz : “Ele é a nossa paz (Ef 2,14). Jesus proclamou bem aventurado os que “procuram a paz ou os pacificadores”

Para o povo hebreu, a paz é a esperança messiânica por excelência e o anseio radical do homem, que se concretiza na saudação: “A paz esteja contigo”, ao que se responde: “Contigo a paz” .

Para Israel, o conteúdo de shalom (paz), se pode descrever como a harmonia total dentro da comunidade que, em razão da ordem, está penetrada da bênção de Deus e torna assim possível um crescimento, livre sem obstáculos, do homem em todos seus aspectos. Então shalom é um conceito de amplíssima extensão, usado freqüentemente tanto para a vida diária como para as mais altas esperanças religiosas.

Na ordem social, é o entendimento entre os homens, entre as classes sociais e entre os Estados. Paz não é a simples ausência de guerra ou de luta, mas percepção e vivência de plenitude crescente, cimentada na justiça e na colaboração ou solidariedade.

Na ordem pessoal, é a integração do ser humano que o faz viver em harmonia e plenitude interior para o exterior.



COMO?

« Ter um olhar positivo sobre as pessoas e as coisas. Somos irmãos e não podemos entrar na competição mesquinha achando que o outro quer o nosso mal.

“Tudo o que nos acontece nos favorece se a gente não se aborrece e ainda agradece”. (Frei Pascoal).

« Também dentro da Igreja – IICo 1,24

« Alegria escatológica – eterna – ICo 2,9

« Na Comunidade ou em outro ambiente, eu consagrada, não posso ser conhecida como a mal humorada, depressiva, invejosa, chata, aquela que está sempre dentro de alguma confusão, etc, mas em quaisquer ambientes ser ministra reconciliadora da paz e da alegria.

« Se eu não tenho uma palavra de elogio ou de encorajamento ao outro ou à comunidade, é melhor manter-me em silêncio.

« Ser e levar a presença de Jesus Salvador, Deus Único e Verdadeiro, ao mundo, aos homens por Ele amados, com paz, alegria e esperança.


2 – A TRANSFIGURAÇÃO:

“E nós vimos a sua glória...”.

A Transfiguração é considerada um mistério da vida de Cristo porque não é algo que se realiza através dele, mas algo se realiza nele que orienta o curso de sua vida e especifica sua missão. Assim também como no nascimento e na ressurreição.

A Igreja do Oriente coloca em evidência, na Transfiguração, o rosto do Cristo joanino e alexandrino onde o centro é a encarnação, a divindade e da idéia de divinização, ou seja, a salvação é concebida como divinização do homem, graças ao contato com a carne vivificante do Verbo. Na arte, a imagem mais característica é do Pantocrator, o Cristo glorioso e o crucifixo têm traços gloriosos, onde o realismo da Paixão já se encontra transfigurado pela luz da Ressurreição.

- A Igreja do Ocidente privilegia o Cristo Paulino e antioquino, onde o centro é a humanidade de Cristo e o mistério pascal. Na arte a imagem característica de Cristo é o crucifixo com traços realísticos de verdadeira dor. A Kenosis de Cristo ocupa um lugar de primeiro plano e com ele, o mistério pascal. Neste sentido encontra-se a vivência da imitação de Cristo.

Desde o século VIII, existe no Oriente uma festa própria da Transfiguração sendo objeto de uma festa especial, visto como um mistério que tem sentido em si mesmo: a glória da Ressurreição, a segunda vinda, o esplendor final dos justos.

A passagem da transfiguração se dá em meio ao anúncio da paixão de Cristo.

- No ocidente, desde que foi introduzida a festa da Transfiguração, esta foi sempre vista em função da Páscoa, como antídoto ao escândalo da Paixão e como promessa da Ressurreição.

Tanto no Oriente como no Ocidente começa-se a fazer um reconhecimento que é necessário apresentar ao mundo um Cristo completo e que a autêntica catolicidade da Igreja se dá na abrangência destas duas visões: Jesus o Senhor e ao mesmo tempo o Servo.

Na festa da Transfiguração, a Igreja não celebra apenas a transfiguração de Cristo, mas também a sua própria: a transfiguração escatológica, a que acontecerá no tempo final quando o Senhor Jesus “há de transfigurar nosso mísero corpo, para torná-lo semelhante a seu corpo glorioso” (Fil 3,21). Isto se dá não somente na outra vida, mas como São Paulo afirma, também nesta vida (Rm 12,2).


A TRANSFIGURAÇÃO NO CARISMA EPIFANIA:

Diante das leituras das Igrejas sobre o mistério da Transfiguração perguntamos: O que Deus quer nos dar de beber da fonte da Transfiguração em nosso carisma?

Temos dois pontos já evidentes para nós, Comunidade Epifania, no mistério da Transfiguração:

O primeiro ponto é “nós vimos a sua glória”. Refere-se à experiência com o Cristo Glorioso, Ressuscitado que nos leva a contemplação/adoração.

“Não é por termos ido atrás de fábulas sofisticadas que vos demos a conhecer a vinda poderosa de nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim por tê-lo visto com nossos próprios olhos em todo o seu esplendor... quando estávamos com ele no monte santo”. (2Pe 1,16-18).

Não adianta termos cursos de teologia, filosofia, cristologia, termos lido a bíblia inteira ou mesmo sermos cumpridores de todos os mandamentos de Deus e da Igreja se não tivermos tido um encontro pessoal com o Verbo de Deus, com Jesus Cristo Ressuscitado. É este encontro que nos leva a um seguimento mais radical a Ele nesta vocação específica de consagração. É este encontro que nos leva a adorar o Deus Único e Verdadeiro e dizer como Pedro: “Senhor, é bom estarmos aqui!”.

Pelo encontro pessoal com Cristo, podemos afirmar que vimos a sua glória, pois esta visão mudou o curso da nossa vida dando real sentido a nossa existência. Somos continuamente chamados por Ele a subir o monte santo e renovar esta experiência a cada dia através da oração de adoração ao Santíssimo Sacramento. Na adoração, Jesus é a porta onde entramos para contemplarmos a Trindade. Adorando a Jesus, adoramos a Trindade Santa.

Em nossa vocação, o silêncio é um caminho privilegiado de experiência da glória de Deus. É preciso interromper de vez em quando a comunicação externa para ativar a interior. Fugir por breve tempo das vãs notícias do mundo, desligar a televisão e o som, desligar o telefone, interromper compromissos para dirigir-se ao monte Tabor.

Ao sairmos de nossas casas, trabalhos e compromissos e nos dirigimos à capela do Santíssimo, inicia a nossa subida ao monte Tabor, pois estamos dizendo a Deus que Ele é mais importante, que Ele é o Senhor das nossas vidas. Em silêncio, na oração de adoração vamos contemplando a santidade e a beleza de Deus.

O segundo ponto é que na experiência da contemplação da glória de Deus, como Pedro, Tiago e João, vamos sendo transfigurados em Cristo Jesus pelo poder do seu Espírito.

“E nós todos que, de rosto descoberto, refletimos a glória do Senhor, somos transfigurados nesta mesma imagem, com uma glória sempre maior, pelo Senhor, que é Espírito” (2 Cor 3, 18).

Quanto mais adoramos a Cristo, nos mistérios da sua vida, mais e mais vamos aprendendo com Ele, por Ele e N’Ele a resplandecer o rosto do Cristo Ressuscitado mesmo estando na Cruz. Em silêncio vamos aprendendo a ouvir o Filho Amado que orienta o curso de nossa vida e nos prepara para a nossa missão. É o mistério pascal. Ali, no monte tabor – (capela) recebemos a humildade e a força necessárias para superarmos todas as provações, cansaço, desilusões, tédio e ofensas, para “descermos” o monte e voltarmos a comunicação externa dos nossos afazeres com o rosto resplandecendo e aí, sendo a luz de Cristo que brilha e testemunha a sua glória!




3- A RESSURREIÇÃO:

“Glória que Ele tem junto do Pai como Filho Único, cheio de graça e de verdade”.

A ressurreição está no coração do cristianismo. Nossa fé depende da fé dos primeiros seguidores e seguidoras de Jesus, homens e mulheres que, aceitando sua proposta, acreditaram na sua presença em seu meio. É o encontro do ressuscitado que fundamenta a fé dos discípulos e discípulas. Os relatos das aparições são produzidos a partir da fé pascal e não para provar a fé. Mostram a fé da comunidade que acredita que o crucificado é o ressuscitado. O túmulo vazio ou aberto não fundamenta a ressurreição de Jesus, mas, antes, indica o modo do encontro do ressuscitado, que se deixa encontrar na vida. O NT nunca fundamenta a ressurreição de Jesus no fato de que o sepulcro estivesse vazio, mas sim, no encontro com o ressuscitado.

“Jesus ressuscitado estabelece com seus discípulos relações diretas em que estes o apalpam e com ele comem. Convida-os, com isso, a conhecer que ele não é um espírito, mas, sobretudo, constatar que o corpo ressuscitado com o qual Ele se apresenta a eles é o mesmo que foi martirizado e crucificado, pois ainda traz as marcas de sua Paixão. (Lc 24,38-39). Contudo, este corpo autêntico, e real possui ao mesmo tempo propriedades novas de um corpo glorioso: não está mais situado no espaço e no tempo, mas pode tornar-se presente a seu modo, onde e quando quiser, pois sua humanidade não pode mais ficar presa a terra, mas já pertence exclusivamente ao domínio divino do Pai”. (CIC no. 645).

Os relatos das aparições procuram passar o querigma da comunidade. Revelam que estamos diante de um mistério que somente será captado pela fé. Somente quem tem fé é que pode ver o ressuscitado. (cf. I Jo 1, 1-4).

A ressurreição ratifica (torna válido) a via percorrida por Jesus e manifesta a aceitação por Deus Pai da sua vida, sua prática e sua morte (Jo 8,14; 14,6). A ressurreição confirma que a morte não tem a última palavra sobre a vida de Jesus. Esta certeza de que Jesus venceu a morte abre a possibilidade de se proclamar o seu senhorio e seu reinado sobre toda a história e todo o universo. A ressurreição aponta que toda a humanidade tem um horizonte definido, caminhando para a perspectiva da plenitude onde Deus será tudo em todos (I Co 15,24-28).

Esta certeza da vitória de Jesus Cristo sobre a morte reagrupa os discípulos e discípulas na fé, e esta comunidade, animada pelo Espírito do Ressuscitado, atualiza sua prática e o torna presente definitivamente na história, proclamando-o Senhor e Cristo. (At 2,36)


A RESSURREIÇÃO NO CARISMA EPIFANIA:

A partir da ressurreição, vemos que, enquanto na transfiguração do Senhor bebemos a mística do nosso carisma, na fonte da manifestação de Deus na ressurreição, bebemos sobre a missão da Comunidade.

O encontro pessoal com o Cristo Ressuscitado (aqueles que o apalpam e comem com Ele), no seu corpo glorioso (“Glória que Ele tem junto do Pai como Filho Único, cheio de graça e de verdade”), é um ato de fé (o ressuscitado é o mesmo que foi crucificado) e levou a cada um de nós a proclamá-lo com Rei e Senhor de nossas vidas.

A nível pessoal: O crucificado é o ressuscitado! Esse encontro de fé enche o nosso coração de paz e alegria: “A paz esteja convosco!” (Jo 20,21; 20,26). È o que nos faz experenciar que a cruz e a glória são inseparáveis. É o que nos faz manifestar o rosto do Cristo ressuscitado mesmo estando na cruz, pois temos a certeza da vitória da vida em cada situação de morte que enfrentamos no dia a dia. Este é o jeito epifania de ser, é um estilo de vida, uma espiritualidade (jeito de pensar, falar, andar, vestir, trabalhar, de conviver com as situações do cotidiano...). É uma face do modo de viver de Jesus Cristo que ele nos chamou a revelar ao mundo.

 

2Cor, 7-18

A nível comunitário: Este encontro também nos reagrupou em comunidade, chamando-nos a atualizar sua prática e torná-Lo presente definitivamente na história. Só quem se encontrou com Jesus Ressuscitado é capaz de ouvir e responder ao seu envio vocacional de missionário:

“Não temais! Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia; lá me verão”. Mt 28,10.

“Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem meus discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei...” Mt 28,19ss.

“Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado...” Mc 16,15-18.

“Como o Pai me enviou, eu também vos envio...”. Jo 20,21-23

“Lançai a rede à direita do barco e achareis...” Jo 21,6.

“... Apascenta os meus cordeiros...” Jo 21,15.

Os discípulos de Emáus ao reconhecerem o Senhor, levantam-se e voltam para Jerusalém para anunciar que era verdade: “O Senhor ressuscitou!” (Lc 24,33-35).

A missão de Jesus é universal: depois de ter sido anunciada primeira ao povo de Israel, como exigia o plano divino, a salvação devia ser oferecida a todos os povos e nações. (cf. At 1,8).

Jesus se manifestou a nós, em nosso primeiro encontro pessoal, e continua se manifestando a cada dia, atualizando a experiência de amor salvífico e nos enviando em missão. Proclamá-Lo se faz, então, uma exigência interior em cada um de nós e conseqüentemente é uma exigência comunitária. O anúncio querigmático (daquilo que vimos e ouvimos), está presente na comunidade desde seu início.
 

 


 

Formação:


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